terça-feira, 17 de março de 2009

Provocação: Reflexão (54) - Pregadores ou predadores?

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por Jefferson Ramalho

Duas semanas atrás, escrevi e postei neste blog um breve artigo intitulado “Falsos pregadores”. No dia seguinte, minha amiga Renata, de Salvador (BA), fez um brilhante comentário e em determinado momento do seu texto, mencionou a palavra preDadores, referindo-se aos pregadores que critiquei naquela reflexão. Tal menção me instigou a escrever um novo texto com o seguinte título: Pregadores ou predadores?

Os poucos amigos e leitores que têm lido meus textos, já devem ter percebido a tônica de minhas idéias a respeito da realidade eclesiástica dos nossos dias. Não vou afirmar, jamais, que igrejas neopentecostais são seitas. O termo “seita” é demais para elas. Seita, não no sentido pejorativo, mas técnico, tratando-se de uma ramificação de qualquer religião existente em qualquer ponto do planeta, não tem uma conotação ruim.

Eu diria sem nenhuma dificuldade que o neopentecostalismo é a mais recente representação do protestantismo, independentemente de seus malefícios. Eu, contraditoriamente, tive minha experiência religiosa com o cristianismo num contexto neopentecostal. Contudo, o tempo e a Graça de Deus se encarregaram de mostrar a mim que os líderes neopentecostais são, das duas uma: ou mal intencionados ou mal preparados.

O fato é que mal intencionados ou mal preparados, são muito ruins naquilo que fazem quando o assunto é cuidar de gente. Apascentar o rebanho de Cristo não é o mesmo que cuidar de uma criação de porcos. E olha que isso também exige muitos cuidados! Os caras, quando bons em alguma coisa, são excelentes em administração de negócios, economia, finanças, contabilidade. Contudo, quando o assunto é a alma humana, por se identificarem como pastores deixam muito a desejar.

São manipuladores manipulados pelo egoísmo e pelo desejo de ficarem milionários com o suor do outro. Comem, bebem, se vestem e vivem com o dinheiro daqueles que ingenuamente acreditam que conseguem barganhar com Deus. Não conhecem textos como o de Paulo aos Romanos 11.35 que diz: “Quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?” Com Deus não se negocia!

A alienação tem o poder de alienar e fazer com que o alienado não se reconheça como tal. A manipulação consegue manipular e fazer do manipulado um ser incapaz de perceber a sua própria condição. Enquanto isso, os preDadores comem a carne, bebem o sangue e se fartam o quanto podem, não só dos bens, mas da vida de suas presas. As pobres ovelhas perdem a lã, perdem o couro e perdem a liberdade para andar aonde quiserem e fazer o que desejarem. Os preDadores estão em todo lugar!

Se Cristo nos libertar, será que realmente nos tornamos livres? E se tal libertação acontecer num território no qual quem manda é um desses preDadores? Neste caso, teremos que melhorar o versículo e dizer: Se Cristo nos libertar, dependendo do lugar em que isso acontecer, não seremos tão livres assim. Por que?


Porque libertação pra eles é estar debaixo de suas vozes de comando. Eles são aqueles que se identificam como cobertura espiritual e autoridades constituídas por Deus. Será que Deus constitui opressores como autoridades sobre inocentes? Se for assim, Hitler e tantos outros foram levantados por Deus?

Por falar em Hitler, os preDadores bem sucedidos, normalmente são bons de retórica. Manipulam com o olhar e convencem com o discurso. Basta uma conversa de 5 minutos para que eles consigam dar o bote. O que são eles? Pregadores do Evangelho ou preDadores de ovelhas? Qual a sua especialidade? Pregação ou preDação?

Toda quarta-feira, em duas turmas de um dos Seminários em que leciono, estamos fazendo uma releitura da História do Cristianismo. Temos sido surpreendidos com aquilo que significava ser cristão nos três primeiros séculos da Era Comum e o que isso passou a significar paulatinamente a partir do quarto século.

Pretendo, na próxima semana, transcrever um pouco dessa experiência de releitura da História da Igreja, aqui, em nossas reflexões de terça-feira. E aí, não só mais com base nas Escrituras e nas interpretações antropológicas, sociológicas, teológicas e psicológicas que temos tentado fazer, mas também na observação da História, ainda que apenas factual, veremos que os preDadores têm seus antecessores há muitos séculos. A diferença, é que com o passar das Eras, o grau de dominação das presas, ou seja, dos fiéis, vai ganhando uma proporção cada vez mais expressiva.

Para concluir, gostaria de provocar você com a seguinte afirmação: todos os recursos utilizados e divinizados por esses preDadores são focados no domínio que supostamente eles devem ter sobre seus dominados. Teologia da prosperidade (quem não der, não leva), Batalha espiritual (é preciso ter a cobertura espiritual deles para poder brigar com o capeta), Maldição hereditária (só eles podem receber a revelação de “Deus” acerca dos pecados cometidos por parentes que viveram no passado), Cura interior (eles é que são especialistas em detectar os males que conseguem afligir a alma humana). Tudo besteira!

Teologia da prosperidade, Batalha espiritual, Maldição hereditária e Cura interior, entre outras aberrações, nada disso está no Evangelho. Não passam de ferramentas utilizadas por esses caras para alcançarem seus maiores objetivos. O dinheiro dos fiéis. É isso que eles querem e é disso que eles precisam para manterem os seus patrimônios. Não preciso citar nomes. Eles estão aí. O tempo todo. Na TV, nos grandes templos, nas grandes cruzadas, nos shows, nas campanhas políticas! Estão aí! Basta identificá-los, e como nos orienta a Didaqué: tenham cuidado com essa gente*.

Abraços,

na Graça,
Jefferson

* Didaqué. C, XII. 10. ed. São Paulo: Paulus, 1989, p. 25. cf. Reflexão 53 deste blog, Didaqué (Διδαχń em grego clássico) ou Instrução dos Doze Apóstolos, é um escrito do primeiro século que trata do catecismo cristão. Didaquê significa doutrina, instrução. É constituído de dezesseis capítulos, e apesar de ser uma obra pequena, é de grande valor histórico e teológico.

5 comentários:

valmir disse...

teologia da prosperidade,casas,carroes etudo mais que 'mamon' pode oferecer.na verdade esses falsos pregadores tem sucesso porque eles pregam, infelismente o que o povo quer, dinheiro.Salvaçao da alma, deixa pra depois, o importante é o agora, o já.O que me conforta verdadeiramente é leitura e certeza das palavras de Jesus,"muitos serao chamados,mas poucos serao os escolhidos.

Claudio Silva disse...

Brilhante texto Jefferson.

A história pode até ser linear, mas os fatos e acontecimentos são cíclicos, volta e meia nos deparamos com as palavras do pregador

"O que aconteceu antes vai acontecer outra vez. O que foi feito antes será feito novamente. Não há nada de novo neste mundo."
Ecl 1.9

E não somente o grau de dominação vai tomando uma proporção mais expressiva, mas também a habilidade em usar técnicas de persuasão e dependência psicológica e utilizar as novas tecnologias a serviço de seus fins mantendo assim seus fiéis cativos e alienados.

Gilvan Albuquerque disse...

Jéff, sempre polemico!

Ótimo texto.
PreDadores é o termo que melhor se aplica aos nossos "pastores" contemporâneos...


abraço,
Gil.

Anônimo disse...

Jeferson Ramalho, como o irmão acima citou ¨não há nada de novo s/o sol, essas criticas a patores que pregam prosperidade já entendiou. Se ha o que oferece ha é por que ha o que busca ganhos financeiros,Sei de pessoas que só se interessam em saber de Jesus quando ouviram que ¨Prosperidade é dom de Deus.Que Deus se agrada da prosperidade do seu servo¨Que as bençãos de Deus, enrriquecem e não acrescentam dores¨ Se vós que sois maus, sabeis dar boa coisa aos vossos filhos, e eu que sou Deus o que não darei aos meus filhos?. Eu fico feliz quando vejo alguem desfrutando do melhor desta terra, acho que Deus como um bom Pai,fica feliz em ver seus filhos comendo bem, bem vestidos, bem aquecidos no frio, com um bom carro, boa casa, os filhos be, alimentados, em boa escola, o seu servo um grande industrial, dando empregos a muitos, exportando bem, fazendo bons negócios, etc...e muito + . Que mal há nisso? Se a pessoa tem fé para desfrutar de uma vida abundante. Quando ouço crentes falando mal dessas igrejas me parecem aqueles ateus comunistas que pregavam uma igualdade utópica, ou alguns religiosos que acham que a pobreza nos aproxima mas de Deus...Eu descobri Deus numa mina de ouro e em cavernas de ppedras preciosas, irmão,que visão! Não devemos limitar Deus a pobreza humana.

Anônimo disse...

conheço de perto pessoas que passaram mais de 15 anos nessas igrejas, e ao falar comigo que pertenço a outra igreja evangelica, simplesmente disse que nunca sentiu o poder do Espírito Santo, não conhece a Jesus verdadeiramente, esta vazia e ainda praticado maldades, participou de todas as campanhas da igreja e nunca foi abeçoada, derrubando por terra essa falsa forma de pregar o evangelho, vejo que a pobre perdeu muito tempo de sua vida numa vã fé, numa vã esperança, e agora o que fazer diz ela, não procurares a Cristo, em espírito e em verdade, não o achará, e ainda ele não veio para nos enriquecer, mas para nos salvar a vida espiritual.