terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Entrevista com Caio Fábio

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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Reflexão (50) - Natal, singelos propósitos

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por Frei Betto

Neste Natal, guardarei em caixas bem fechadas o que me transmuta naquele que não sou: a inveja, o ciúme, a sede de vingança, e todos os ressentimentos que me corroem as vísceras. Lacradas as caixas, atirarei todas nas profundezas do mar do ouvido.

Neste Natal, esvaziarei o escaninho de minhas torpes intenções; as gavetas de tantas vãs ilusões; os armários de compulsivas ambições. De pés descalços, trilharei a senda saudável de uma existência modesta, por vezes solitária, sempre solidária.

Não darei ouvidos ao crocitar dos corvos em minhas janelas, nem ficarei indiferente às aquarelas pinceladas pela dor alheia, e manterei vedada a chaminé à entrada consumista de Papai Noel.

Tecerei, com as agulhas do acalanto e os fios invisíveis do mistério, o tapete promissor dos sonhos que me fomentam o entusiasmo. Recolherei as bandeiras da altivez militante e, numa caneca de barro, derramarei singelos propósitos: refrear a língua de maldizer outrem; reconhecer as próprias fraquezas; exercer a difícil arte de perdoar. Sorverei de um só gole até inebriar-me de compaixão.

Armarei, na varanda de casa, uma árvore de Natal cujo tronco será da mesma madeira que os princípios que me norteiam os passos; os galhos, as sedutoras vias às quais ousei dizer não; as flores, a paz colhida ao enclausurar-me no silêncio interior; os frutos, essa esperança-lagarta que insiste em metamorfosear-se em utopia sobrevoando o pessimismo que me assalta.

Aos pés de minha árvore deixarei vazios os sapatos de minhas erráticas peregrinações ao mundo inconsútil dos apegos que me sonegam o que a vida melhor oferece: a experiência amorosa de transcendê-la. Ao lado, minha lista de pedidos: a leveza imponderável da meditação; o dom de respeitar o limite das palavras; a felicidade de saciar-me na brevidade dos meus dias.

Neste Natal, montarei no canto da sala o presépio de minhas inquietudes. No lugar de franciscanos animais, a Declaração Universal dos Direitos Humanos; como são José, um árabe fiel ao Alcorão; Maria, uma jovem judia semelhante à de Nazaré; Jesus, a criança africana carcomida pela fome.

Tragam os reis magos três oferendas: o ramo de oliveira preso ao bico da pomba que anunciou a Noé o fim do dilúvio; a brisa suave que soprou sobre Elias; o pão repartido na estalagem de Emaús.

Não celebrarei liturgias solenes em dissonância com o glória cantado pelos anjos do presépio; não me fartarei em ceias pantagruélicas enquanto o Menino se abriga ao relento num cocho; nem darei presentes que me doem no bolso e no coração, embalados em falsos sentimentos.

Sim, me farei presente lá onde a família de sem-teto, escorraçada de Belém, ocupa um pedaço de terra nas cercanias da cidade para que do ventre de Maria brote a certeza de que a justiça haverá de brilhar como a estrela de Davi.

Neste Natal, serei todo orações, dançarei ao som das cítaras do reino de Salomão, sairei pelas ruas cantarolando salmos, despirei todos os adereços de neve e, neste país tropical, deixarei que o sol pouse em minha alma.

Colherei as lágrimas dos desesperados para regar meu jardim de girassóis, e arrancarei os impropérios da boca dos irados para revogar a lei do talião. Nos becos da cidade, celebrarei com os bêbados, os mendigos, as prostitutas, a quem tratarei por um único nome: Emanuel. E, num grande circo místico, buscarei com eles a resposta à pergunta que jamais se cala: “o que será que será que cantam os poetas mais delirantes e que não tem governo nem nunca terá?”

Neste Natal, rogo a Deus ressuscitar a criança escondida em algum recanto de minha memória, a que um dia fui, menino que sabia confiar e, desprovido do pudor do ócio, livre das agruras do tempo, era capaz de imprimir fantasias coloridas ao lado obscuro da vida.

Quero um Natal de brindes à alegria de viver, hinos à gratidão da fé, odes à inefável magia da amizade. Natal cujo presépio seja o meu próprio coração, no qual o Menino Jesus desfaça laços e faça desabrochar todo o amor que se oculta nos sombrios porões do meu ego.

Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros.

sábado, 13 de dezembro de 2008


Olá, amigos e amigas;

Aqueles que estiverem interessados em adquirir, diretamente comigo, o livro 'Jesus é Deus? - uma reflexão sobre a divindade de Cristo na História', poderão ligar para 11 9313 6343 ou 11 4618 0447.

Enviarei p/ qualquer parte do país e o frete é por minha conta. Por R$ 29,90 faça já o seu pedido e reflita sobre as implicações por trás dessa que é uma das principais convicções da religião cristã!

Aproveite!

Um forte abraço!

na Graça,
Jefferson

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Jesus Cristo - o herege

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Primeiramente, obrigado a todos os amigos, familiares, alunos e ex-alunos, companheiros de jornada... Foi uma noite, como eu havia previsto, muito agradável para todos nós.

Mais que o lançamento do meu livro, foi um verdadeiro encontro legitimamente ecumênico. Tinha até padre na platéia! Inclusive, um grande amigo de longa data!

Sérgio Pavarini, com seu humor e suas tiradas mais que pertinentes sobre o "mercado" evangélico, arrebentou na moderação da "mesa".

Roque Frangiotti, o doutor católico que prefaciou o livro lançado, concluiu sua fala afirmando uma das maiores verdades que já ouvimos: Por que termos medo de ser hereges? Até Jesus foi herege!

Alderi Souza de Matos e Wilson Santana, com classe, não só falaram da obra, como mostraram em suas considerações que entendem do assunto e não brincam em serviço.

Stênio Marcius, nosso poeta, cantor e compositor preferido. Dispensa comentários. Cantou "Alguém como eu", "Deixa eu tocar teu coração" e encerrou com uma música mais que nova, feita há menos de duas semanas, intitulada "nEle".

Após a apresentação, nos confraternizamos no coquetel e desfrutamos de um momento inesquecível. Entre todas as pessoas especiais que estiveram no lançamento, vale destacar especialmente a presença daquele a quem o livro foi dedicado, prof. dr. Ricardo Bitun. Meu mestre, irmão de fé, conselheiro e acima de tudo, grande amigo!

Ano que vem tem mais! Para adquirir o livro Jesus é Deus?, basta acessar www.editorareflexao.com.br ou fazer o seu pedido por telefone: (11) 3487 8961.

Em dezembro de 2009, se tudo correr bem, segundo volume da tríade: O Cristo Medieval - de Santo Agostinho à Idade Média tardia.

Beijo carinhoso em cada um!

na Graça,
Jefferson

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Chegou a hora! Jesus é Deus?

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Queridos amigos e amigas,

Falta pouco p/ o lançamento oficial do meu livro intitulado:

Jesus é Deus? - uma reflexão sobre a divindade de Cristo na História

Nesta quarta-feira, dia 10, a partir das 19h.

Ficarei muito feliz c/ a sua presença!

Será uma noite super agradável p/ todos nós!

Livraria Cultura do Shopping Market Place.

Em frente ao Shopping Morumbi.

Dois minutos da Estação Morumbi da CPTM.

Ao lado da Ponte Morumbi.

A sua presença, p/ mim, será de um valor inestimável!
Um beijo carinhoso e até lá!

na Graça,
Jefferson



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domingo, 30 de novembro de 2008

Faltam só 10 dias!

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Meus amigos e amigas,

Faltam apenas 10 dias para o lançamento do meu livro "Jesus é Deus?"

Abaixo está o meu convite especial a vc.!

Ficarei muito feliz e honrado com a sua presença.
Será na Livraria Cultura do Shopping Market Place.
No convite, os detalhes e atrações da noite do evento.

Espero por vc.
Beijos, com carinho!
Jefferson

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Solidariedade Urgente

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por Carlos Bregantim

Lamentavelmente estamos vivendo mais uma tragédia. É comum nestes episódios tristes os movimentos solidários. Comuns e bem-vindos.

Encorajo você ao que chamo de SOLIDARIEDADE MÍNIMA, isto é, faça alguma coisa, nem que seja UM GESTO, mas, faça agora mesmo.

Toda ajuda é mais que bem-vinda, é necessária. É urgente. A situação é grave. São milhares de familias. Não importa onde você esteja e em que circunstância esteja.

Experimente a GRAÇA DA SOLIDARIEDADE. Relaciono abaixo alguns gestos que podem fazer toda diferença.

01-Não é possível que você ainda não orou, suplicou, intercedeu junto ao Pai Eterno que tenha misericórdia desta gente sofrida. Por favor, dobre-se diante dEle e ore.

02-Se você tem gente conhecida por lá, seja familia, amigos, colegas de trabalho, faculdade, enfim, gente que você sabe que está nas regiões mais afetadas, por favor, LIGUE, MANDE UM E-MAIL, TENTE O MSN, faça contato e ENCORAJE, ANIME, SE DISPONHA. Que eles saibam que você se importa. Uma palavra de solidariedade, amor, consolo, pode fazer diferença.

03-Se você conhece pessoas que estão la engajadas no socorro, tipo, os bombeiros, Cruz Vermelha e tantos outros órgãos governamentais, ONGS, Igrejas, instituições. Ligue e os ANIME, ENCORAJE, diga que você está orando por eles. Que eles são importantes e vitais nesta hora.

04-É hora de LIMPAR OS ARMÁRIOS, GUARDA ROUPAS, DISPENSAS, e dar uma geral em casa. Junte o máximo que você puder de tudo que pode ser utilizado pelas familias que perderam tudo. Se perderam tudo, significa que tudo que você lhes mandar será útil. Procure um órgão perto de sua residência que esteja encaminhando o que está sendo arrecadado e COOPERE. Sejamos co-beligerantes nesta hora, isto é, você não precisa criar uma campanha, junte-se aos que já estão organizados. Faça isto sem pensar. Apenas faça. Faça o bem. Faça agora.

Isto é o que chamo de SOLIDARIEDADE MÍNIMA.

Se desejar, acrescente outros ítens e outras informações, mas, faça alguma coisa agora.

Não estou citando aqui os nossos queridos do Caminho que estão lá, pois, como eles, milhares de gente boa de Deus estão ali em apuros. Todos devem ser ajudados e receber esta SOLIDARIEDADE MÍNIMA da nossa parte.

Graça, paz, socorro, solidariedade, ânimo, consolo & todo bem a você e aos que são, hoje, vítimas nesta tragédia.

Com carinho,
Carlos Bregantim

domingo, 23 de novembro de 2008

Agenda - Lançamento do livro "Jesus é Deus?"

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27 de novembro / 19h15 - 21h
Faculdade de Cultura e Ensino Teológico de Osasco
com mesa de apresentação e coquetel após a exposição
participações especiais
- dr. Reinaldo Vasconcelos e professores da casa
Informações: 3654 2868 (c/ Edinalva)

03 de dezembro / 19h30 - 21h
Seminário Teológico de Guarulhos
com mesa de apresentação e coquetel após a exposição
participação especial
- prof. Adarlei Martins
Informações: 6409 6106 (c/ Gisele)

10 de dezembro / 19h - 21h30
Livraria Cultura - Shopping Market Place
com mesa de debate e coquetel após a apresentação
participações especiais
- dr. Roque Frangiotti
- dr. Alderi Souza de Matos
- ms. Wilson Santana
- Stênio Marcius - músico
- Sérgio Pavarini - jornalista
Informações: 3487 8961 (c/ Caroline)
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Reflexão (49) - Deus habita na impureza

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por Jefferson Ramalho

Confio na Graça, não consigo não confiar na Graça, não é possível viver sem confiar na Graça! Minhas impurezas, meus pecados, meus maus desejos e sentimentos, minhas perversidades, minha arrogância, minha maldita ansiedade, meu materialismo, meus interesses e toda sorte de malignidade que me habita, me condenam e me fazem depender o tempo todo da Graça de Deus, em Jesus. Só em Jesus! Tudo por Jesus! Nada sem Jesus, e, suficientemente em Jesus.

Estou ouvindo algumas canções do grande amigo Stênio Marcius. Faz meses que não nos vemos. Mas sempre que o ouço, parece que nos vimos há poucos minutos. Costumo dizer para mim mesmo que se Deus toca algum instrumento de cordas, o nome desse instrumento é Stênio Marcius. E o que mais me constrange é que ao ouvir suas canções, minha alma parece ser lançada a um mar de Graça. Nas palavras de cada letra que o Stênio compõe, percebo que sem Cristo eu nada posso fazer. A Bíblia tinha razão!

Para mim, a Mensagem de Deus está no cânon, mas o cânon foi feito sagrado. Não que ele, por si só, o seja. A Mensagem do Evangelho está ali e é capaz de me causar paz e desespero, ao mesmo tempo. Paz, porque tranqüiliza a minha alma fazendo-me perceber que se eu me esconder no abrigo do Altíssimo, poderei descansar tranqüilamente.

Ora, e o desespero? O Evangelho me desespera, também. Porque, apesar da clareza da Graça impressa nas páginas do cânon, percebo que minha sujeira existencial consegue se esconder de tudo e de todos, mas não do olhar dAquele que é. Você sabe quem eu sou? Por onde passei nessa semana? Se eu fui aos lugares mais santos ou aos mais promíscuos? Não sabe e nem saberá. Mas Ele, antes que eu pensasse em ir a algum desses lugares, já sabia que pra lá eu iria.

Que Deus é este que sabe que vamos em direção à perdição e não nos livra? Mas que também sabe que vamos aos lugares supostamente sagrados e nos envergonha com sua Santidade diante de nossa imundície? A minha vida é dEle. Só pode ser dEle. Se fosse minha, nem em lugar sagrado eu pisaria. Freqüentaria apenas os lugares que proporcionariam satisfação e prazer ao meu corpo. Só que a minha vida é dEle. Por causa disso, não vou aos lugares, mas a estes sou levado. Levado aos lugares supostamente santos para ser constrangido. Levado aos lugares impuros para ser identificado com minha própria condição.

Meu amigo Carlos Bregantim disse certa vez: “não há mais lugar!” Exatamente! O cristianismo autêntico – não o da história que só nos desvia e nos distancia de Deus – mas o do Evangelho, não tem forma, não tem lugar, não tem dia sagrado, não cabe num pacote, não cabe num livro de Teologia Sistemática, não pode ser transformado ou resolvido em/ou através de Códigos, Confissões de fé, Catecismos, de nada disso. Nós até gostamos dessas coisas e com elas aprendemos o máximo que conseguem nos ensinar.

Mas elas não passam de fôrmas, apesar dos bolos deliciosos que muitas vezes assam! Mas dessas fôrmas também saem bolos ruins. Bons ou ruins, o fato é que dessas fôrmas saem apenas bolos, não o Evangelho. O Evangelho não cabe numa fôrma nem é uma receitinha de bolo. É o Cristo!

Santo Tomás de Aquino, autor da Suma Teológica, que é sem dúvida a mãe de todos os pacotes doutrinários e teologias sistemáticas, com toda erudição, superioridade e incomparabilidade se colocado ao lado de todos os teólogos de toda a História – inclusive Santo Agostinho – concluiu que: “tudo o que havia escrito sobre Cristo lhe parecia palha!”

Portanto, não há mais lugar. Na verdade, nunca houve. E quando houve, a arrogância e a confiança na justiça própria tomaram conta do lugar que deveria pertencer à Graça. Que lugar é esse? O coração humano. Nele cabe arrogância, nele cabem sentimentos de justiça própria, nele cabe a ingenuidade de que pelas obras somos salvos, nele cabe a inocência de que os rituais conseguem simbolizar a reverência diante dAquele que não pode ser reverenciado de outra maneira senão através de um silêncio constrangido do ser.

Não há tempo nem espaço que Ele possa ocupar ou habitar. Não existe Casa de Deus, mas casa de Deus, isto é, nossas almas perversas. Deus não habita templos feitos por mãos humanas, onde a santidade apenas parece existir. Isso não seria Graça.

Mas Deus habita em corpos perversos, pecadores, imundos, desejosos do pecado e da perdição. Isso é Graça! Deus habitar em lugares sujos, sendo Ele quem é! Os templos, os rituais, as liturgias, as representações humanas do Sagrado, não passam de representações. Eu diria ironicamente que essas coisas são santas demais para Deus habitar. Ele, ao contrário, por Ser Santo, só habita no que não é santo. Assim, sua Graça transformada em Sangue, purifica as impurezas das paredes e móveis dessa habitação. Os lugares santos não precisam de Deus lhes habitando!

É por isso que o dr. Milton Schwantes, incontestavelmente o principal teólogo brasileiro vivo, diz: “A Bíblia, graças a Deus, está cheia de homens safados”. Quem não concorda com esta afirmação, não entendeu o Evangelho. E ele complementa: “Graças a Deus, pois assim percebemos que os homens da Bíblia são exatamente como você e eu!”

E foi entre esses safados que Deus resolveu habitar, na Encarnação. E só teve problemas quando se viu diante dos “santos”, dos “religiosos”, “dos preocupados com rituais e liturgias”, “dos guardiões e protetores da sã doutrina”. Deus é o santo que resolveu habitar na impureza para fazer da impureza, santidade e, para mostrar, que aquilo que se chama “santidade” é o que de fato é impuro e ofensivo ao Seu Nome.

na Graça,
Jefferson

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Convite Especial

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Querido amigo,

Abaixo está o meu convite especial a vc. para que, esteja no dia 10 de dezembro, no lançamento oficial do livro:

Jesus é Deus? - uma reflexão sobre a divindade de Cristo na História.

Ficarei muito feliz e honrado com a sua presença.
Será na Livraria Cultura do Shopping Market Place.
No convite, os detalhes e atrações da noite do evento.

Espero por vc.
Beijos,
Jeff


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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Em novembro - Jesus é Deus?

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A Divindade de Cristo é uma convicção racional, um simples "objeto" de fé, um dogma teológico-político-institucional ou uma grande fraude da religião cristã?

Na última semana de novembro, com prefácio de Roque Frangiotti, o primeiro volume da tríade sobre a Divindade de Cristo na História.

Que sentido faz acreditar neste que é um dos principais - ou mesmo o principal - de todos os pilares do cristianismo? Aguarde!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Reflexão (48) - C. S. Lewis e a igreja

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"Eu creio no Cristianismo tal como creio que o sol nasceu, não apenas porque o vejo mas porque através dele eu vejo todas as outras coisas." (C. S. Lewis)

C. S. Lewis freqüentou a mesma igrejinha durante trinta anos. A experiência não tinha nada de extraordinário a cada semana. A maior parte daqueles anos Lewis não se importava muito com os sermões; ele até mesmo sentava-se atrás de um pilar para que o ministro não visse suas expressões faciais.

Ele ia ao culto sem música porque não gostava dos hinos. E saía logo após a comunhão da Ceia provavelmente porque não gostava de se envolver nas conversas com os outros membros depois do culto.

Mas a longa obediência numa mesma direção moldou a vida de Lewis de um modo que nada mais poderia. Uma vez perguntaram para Lewis: “É necessário freqüentar um culto ou ser membro de uma comunidade cristã para um modo cristão de vida?”

Sua resposta foi a seguinte:

“Esta é uma pergunta que eu não posso responder. Minha própria experiência é que logo que eu me tornei um cristão, cerca de quatorze anos atrás, eu pensava que poderia me virar sozinho, me retirando a meu quarto e lendo teologia, e não freqüentava igrejas ou estudos bíblicos; e então mais tarde eu descobri que era o único modo de você agitar sua bandeira; e, naturalmente, eu descobri que isso significava ser um alvo. É extraordinário o quão inconveniente para sua família é você ter que acordar cedo para ir à igreja. Não importa tanto se você tem que acordar cedo para qualquer outra coisa, mas se você acorda cedo para ir à igreja é algo egoísta de sua parte e você irrita todos na casa. Se há qualquer coisa no ensinamento do Novo Testamento que é na natureza de mandamento, é que você é obrigado a participar do Sacramento e você não pode fazer isso sem ir à igreja. Eu não gostava muito dos seus hinos, os quais eu considerava poemas de quinta categoria com música de sexta categoria. Mas à medida em que eu ia eu vi o grande mérito disso. Eu me vi diante de pessoas diferentes de aparência e educação diferentes, e meu conceito gradualmente começou a se desfazer. Eu percebi que os hinos (os quais eram apenas música de sexta categoria) eram, no entanto, cantados com tamanha devoção e entrega por um velho santo calçando botas de borracha no banco ao lado, e então você percebe que você não está apto sequer para limpar aquelas botas. Isso o liberta de seu conceito solitário.”

(C. S. Lewis, God in the Dock, pp 61-62)

* matéria recebida por e-mail do Jornal Urro do Leão. (www.urrodoleao.com.br)

domingo, 21 de setembro de 2008

Reflexão (47) - Um Cardeal, amigo da inteligência

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por Leonardo Boff

No dia 18 de julho do corrente ano visitei em São Paulo meu antigo mestre, o Cardeal Paulo Evaristo Arns. Encontrei um sábio bíblico, carregado de dias mas cheio de vida e de lucidez intelectual. Sobre a mesa estavam vários livros abertos, seus amigos de predileção: os textos de São Jerônimo, de São João Crisóstomo, da Didaqué e outros. Por mais de duas horas entretivemo-nos sobre nossa vida e nossas andanças pelo mundo da teologia e da Igreja e tivemos saudades de nosso próprio passado. Foi meu mestre em teologia, introduzindo-me na leitura dos Padres da Igreja, nas línguas originais, aqueles pensadores dos primeiros séculos que inauguraram a grande aventura intelectual que foi o encontro da fé cristã com a inteligência filosófica dos gregos e com o sentido do direito dos romanos.

Três paixões marcam a vida do mais importante de nossos cardeais no século XX: a paixão incandecente por Deus, a paixão pelos pobres na perspectiva de sua libertação e a paixão pela inteligência. Para Dom Paulo, Deus não é um conceito teológico mas uma experiência de intimidde e de fascinação. Ele pode falar de direitos humanos, denunciar sua sistemática violação e de falta de justiça social. E o faz bem. Mas deixemo-lo falar de Deus para percebermos que suas palavras ganham doçura e profundidade, pois comprovam o que Pascal dizia:”é o coração que sente Deus, não a razão”.

Sua outra paixão são os pobres, na grande tradição de São Francisco, pois Dom Paulo é e continua frade fransciscano. Como jovem estudante de teologia, trabalhei com ele por dois anos, nas quintas-feiras e nos sábados à tarde e nos domingos no bairro Itamarati de Petrópolis e nos morros vizinhos onde moravam os pobres. Falava com eles com carinho. Fundou escolas e animava a cultura local. Quando cardeal-arcebispo de São Paulo chamou Paulo Freire para orientar pedagogicamente a pastoral das periferias. Mas sobretudo, defendeu aqueles que o regime militar julgava subversivos, não raro torturados e até assassinados. Arriscou a própria vida para defendê-los. O Papa Paulo VI, sabendo de seu compromisso pelos direitos humanos, o fez imediatamente Cardeal de São Paulo. A sociedade brasileira lhe deve uma contribuição inestimável com o livro Brasil nunca mais, relato das torturas a partir de fontes oficiais dos tribunais militares. Corroborou assim a desmantelar o regime e acelerar a volta à democracia.

Sua terceira paixão é pela inteligência. Formou-se na Sorbonne em Paris com uma tese que acaba de ser lançada em português numa belíssima edição pela Cousac-Naif: A técnica do livro em São Jerônimo. Ai associa o esprit de finesse francês com a acribia da pesquisa alemã. Escreveu mais de 50 livros, traduziu textos clássicos dos Padres da Igreja mas principalmente sempre defendeu a inteligência teológica. Acompanhou-me a Roma quando tive que me submeter às instâncias doutrinárias do Vaticano. Não apoiava apenas um ex-aluno, mas queria testemunhar o que dissera ao Cardeal encarregado de me inquirir, Joseph Ratzinger: “A teologia é um bem da Igreja local; quero, como pastor, testemunhar que esta teologia que agora está sob juízo, faz bem às nossas comunidades; se ela contiver erros, corrijamo-los para que continue a animar a fé dos fieis”. Foi considerado o Cardeal da libertação e sempre enfatizou a legitimidade e a necessidade deste tipo de teologia.

Ao embarcar no navio no dia 16 de julho de 1965 para me formar na Alemanha, me entregou na mão um bilhete que guardo até hoje:”Quero que saiba isso: queremos lhe dar o melhor porque o Brasil e a Igreja são realidades complexas e precisam do melhor. Enviado por Deus, estude e viva por Ele e para Ele”. É um conselho que continua a me alimentar e a me inspirar.

domingo, 7 de setembro de 2008

Reflexão (46) - No chão da Graça é assim

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por Jefferson Ramalho

Graças a Deus que nos faz caminhar com os pés no chão e, não, levitando, como muitos “evangélicos” gostariam de “andar”. A maioria, na verdade, gostaria não apenas de levitar, mas se pudessem, voariam como verdadeiras águias ou gaivotas. Sobrevoar as alturas! Oh, arrogante ingenuidade! Ou seria ingênua arrogância?

Louvo a Deus por não ter mais essa consciência que de ciência nada tem. Pisar o chão é bom demais! Quem já experimentou uma turbulência aérea sabe bem do que estou falando. E quando o comandante avisa que não há previsão de pouso e que o combustível que resta só serve para alguns minutos, o desespero toma conta.

Na vida, viver turbulências, por incrível que pareça é ainda pior. Quem me conhece bem de perto, sabe das que vivi ultimamente. E se os pés não estiverem no chão, a gente sai por aí saltando de arranha-céus acreditando ser o super-homem, ou para ser mais próximo do momento, o próprio Spider-Man.

Só que nós não somos super-heróis. Somos gente e suficientemente gente. Sou fascinado por orações como a de Pedro: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador (Lc 5.8). Quando vemos a turbulência perdendo força e a Graça de Deus prevalecendo, dá vontade de pedir para Deus se retirar, pois sabemos o quanto somos indignos dEle.

Só aí percebemos o quanto merecemos a condenação, o castigo, o isolamento, a morte e o inferno. Quando vemos Deus nos agraciando com seu amor e cuidado, sendo nós quem somos. De qualquer maneira, é no chão da vida que as coisas acontecem, sejam boas, sejam ruins. Não é nos templos, não é nos montes, não é nos encontros religiosamente evangélicos, não é nos shows de música gospel nem na marcha para “Jesus”. Que Jesus, Senhor? Que Jesus receberia tantos sacrifícios presunçosos como forma de louvor?

As coisas acontecem no chão da vida, mas a alma é tranqüilizada quando percebemos que o chão da vida se tornou chão da Graça. É quando a caminhada, por mais espinhosa que pareça, não tenha que ser recheada com supersticiosos “ta amarrado”, nem com ingênuos “eu repreendo”, muito menos com blasfemos “tomo posse do melhor dessa terra”. Não, amados! Quem está no chão da Graça, sente a graça de ser acompanhado lado a lado por Jesus no chão da vida.

Quem está no chão da Graça, não se torna franciscano na aparência ou no discurso, apenas. Quem está no chão da Graça, ama até o pior e mais charlatão pastor evangélico que possa existir, não o ofendendo - como já fiz muito -, mas apenas orando por ele. Apenas, orando! Quem está no chão da Graça, não reduz a sua vida com Cristo numa comunhão estática sacralizando o espaço do templo ou o dia de domingo. Mas quem está no chão da Graça, se não sequer suporta a idéia de templo, não pisa nele também, quando convidado. Quem está no chão da Graça? Às vezes penso que ninguém! Ou às vezes imagino que somente os maltrapilhos estão, dos quais me compadeço com as palavras, mas não compartilho com eles o muito ou pouco daquilo que tenho. Dou não o que sobra, mas parte do que sobra! Que amor é este que tanto prego? Só falar é fácil, ainda mais quando o cifrão chega brilhar em meus olhos. E há também momentos em que penso que todos estão no chão da Graça, porque não é possível!

Até os pregadores da Graça têm me preocupado nos últimos dias, Jesus. Os da espiritualidade, os do ecumenismo, os progressistas, os comunistas cristãos, os da caminhada. Que caminhada? Graças a Deus que o Caminho é Cristo, apenas! Graças a Deus! Graças a Deus que é Ele o Caminho da Graça, em quem e com quem há chão da Graça, em meio ao chão da vida. Caso contrário, nem a igreja clandestina e subversiva escaparia.

Dou graças a Deus, pois no chão da Graça, as coisas são assim. Deus coloca pessoas "sem importância alguma para a maioria" para abençoar nossas almas. Gente como a gente. Gente que sorri; que recepciona; que chora junto; que diz o que tem de ser dito; que não faz aquela cara hipócrita de insatisfação na hora da piada, mas com uma vontade enorme por dentro de dar risada; gente que se for preciso não segura o palavrão, mas o pronuncia sabendo que não pronunciá-lo será ainda mais pecaminoso; gente que é gente.

No chão da Graça é assim. A consciência e as intenções limpas são o que prevalece. A Graça não se torna rótulo, mas realidade de vida de quem vive sorrindo ou chorando no chão da vida. É onde realmente há amor e simplicidade, desprendimento da matéria, riqueza na comunhão despretensiosa, liberdade em Cristo e compaixão pelo pobre.

na Graça,
Jefferson

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Em novembro - Jesus é Deus?


Vem aí: Jesus é Deus? - uma leitura sobre a Divindade de Cristo na História.
1º volume da tríade sobre a história do dogma da Divindade de Jesus.
Neste tomo, faremos uma reflexão sobre os primeiros quatro séculos da História do Pensamento Cristão, dando atenção específica ao tema "Divindade de Jesus Cristo".

Será que Ele realmente é Deus?

Ainda faz algum sentido acreditar neste dogma da fé cristã?

Ou será que na verdade nunca fez sentido?

Aguarde!!!


quinta-feira, 24 de julho de 2008

25 de julho - dia do escritor



Oração do escritor

Antes que a vida
feche as pálpebras
na linha do tempo.

Antes que o sol
decline no horizonte

e todas as fontes
neguem o jorrar cristalino
das águas do meu pensamento.

Antes que a escrita
e esta fala contrita
deste escritor
sejam apenas um lamento
triste de saudade.

Antes que a idade
de todas as coisas
pesem sobre meus ombros.

Antes que todos os assombros
pairem na esfera
repetitiva das recordações

e meu texto no contexto da vida
seja apenas a dor do desencontro
meu e teu.

Por Deus!

Diga que me viu...
diga que me leu!

(Paulo)

extraído do blog:
http://retratosdaalma1.blogspot.com/2007/07/orao-do-escritor.html


PARABÉNS, ESCRITOR! VOCÊ É MUITO IMPORTANTE POR FAZER O QUE FAZ,
POIS CONSEGUE TRANFORMAR EM LETRAS, NÃO APENAS IDÉIAS,
MAS SENTIDOS E EMOÇÕES VERDADEIRAS.

CONTINUE NOS PRESENTEANDO COM AQUILO QUE,
O SEU CORAÇÃO CONSEGUE TRANSFORMAR EM PALAVRAS!
NÃO PARE DE ESCREVER!

UM CARINHOSO ABRAÇO,
JEFFERSON


sábado, 19 de julho de 2008

Reflexão (45) - Peixinhos e tubarões


por Frei Betto

Angélica Aparecida de Souza Teodoro, 18 anos, mãe de um filho de dois anos, estudou apenas o 1º. grau. Trabalha como empregada doméstica, mas encontrava-se desempregada, ao ser presa, em novembro, dentro de um mercadinho do Jardim dos Ipês, na capital paulista, acusada de roubar uma lata de manteiga marca Aviação, de 200 gramas, no valor de R$ 3,10. Levada para a 59º Distrito Policial, conhecido como Cadeião de Pinheiros, recebeu voz de prisão do delegado Marco Aurélio Bolzoni.


Por subtrair mercadoria no valor de R$ 3,10, Angélica passou na prisão o Natal, o Ano-Novo e o Carnaval, pois o Tribunal de Justiça de São Paulo, ao analisar o pedido de defesa da doméstica, o indeferiu. Angélica foi solta dia 23 de março, mais de quatro meses depois, graças à liminar do ministro Paulo Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.

O Brasil e sua Justiça parecem postos de cabeça para baixo. Há uma inversão total de valores e critérios. Um publicitário vem a público e declara ter recebido, via caixa dois, R$ 10 milhões de reais numa conta clandestina no exterior, e fica por isso mesmo, protegido por direitos que lhe foram garantidos pelo STF, reagindo com escárnio às interrogações dos parlamentares incumbidos de apurar corrupções.

Um publicitário mineiro faz biliardários empréstimos ao tesoureiro de um partido político, sem revelar a origem dos recursos, porém destinando-os ao suborno de deputados federais, e fica por isso mesmo.

Um deputado federal, cassado após ocupar o cargo de presidente da Câmara dos Deputados, achaca em R$ 7 mil o proprietário de um restaurante e ninguém lhe dá voz de prisão.

Um alto funcionário dos Correios é filmado embolsando propina no valor de R$ 3 mil, a polícia não é chamada e ele continua livre, prova viva de que crimes de colarinho branco, merecem a cumplicidade de setores da Justiça.

Quando políticos, banqueiros e empresários processados por desvios de recursos públicos devolverão o que roubaram? Quem pune os gastos exorbitantes de um reitor de Universidade de Brasília, os desvios de recursos do BNDES, as maracutaias nas privatizações sob o governo FHC?

Fica a impressão de que, por baixo de tanta corrupção, há uma extensa rede de cumplicidade. Tubarões não são punidos para evitar que entreguem outros tubarões à Justiça. Neste país, basta ter dinheiro, bons advogados e relações nas instâncias de poder para ficar assegurada a impunidade. Enquanto isso, os pobres, sob simples suspeita, sofrem torturas ou levam bala antes de serem inquiridos ou investigados.

Os peixinhos, como Angélica, ficam meses na cadeia por causa de R$ 3,10. Os tubarões, imunes e impunes, são a prova viva de que o crime compensa – de fato e de direito – desde que o assalto abocanhe valores em milhões de reais. De preferência dinheiro dos cofres públicos.

Vale o provérbio: “Quem rouba 1 real é ladrão, quem rouba 1 milhão é barão”.

Estatísticas comprovam que a polícia do governador Sérgio Cabral, do Rio, matou mais este ano do que os crimes cometidos em São Paulo por bandidos. Quem decepa a mão assassina do Estado?

No Brasil, quando a polícia pára uma pessoa de posses, a pergunta é: “Sabe com quem está falando?”

Em outros países é o policial que faz a pergunta: “Quem você pensa que é?”

Quando estive na Inglaterra, nos anos 80, vi pela BBC – uma TV estatal – o sobrinho da rainha Elizabeth II ser levado a julgamento. Parado por uma patrulha rodoviária, constatou-se que ele dirigia sob efeito de álcool. Cassaram-lhe a carteira por seis meses.

Dois meses depois foi parado por outra patrulha. Pediram-lhe a carteira. Não tinha. Então apelou para o jeitinho brasileiro: “Sabe com quem está falando? Sou o príncipe fulano”. O guarda insistiu em ver os documentos. O rapaz voltou ao bate-boca. Então o policial disse a ele: “Um de nós dois está errado. Você está preso e a Justiça dirá quem de nós tem razão”.

Televisionado para todo o pais, o príncipe se viu obrigado, pelo juiz, a pedir desculpas ao guarda e teve a sua licença de motorista cassada por cinco anos.

Assim se faz cidadania.

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de “O desafio ético” (Garamond), entre outros livros.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Reflexão (44) - A semente do futuro



por Levi Corrêa de Araújo

"Plante de manhã a sua semente, e mesmo ao entardecer não deixe as suas mãos ficarem à toa, pois você não sabe o que acontecerá, se esta ou aquela produzirá, ou se as duas serão igualmente boas." Eclesiastes 11.6


O texto do Rei e Sábio Salomão pode ser usado para aqueles encontros prozac muito característicos entre as equipes de vendas, mas essa dica de saber também pode ser usada sem tanta overdose por grupos políticos em tempos de eleições ou entre qualquer time que diante de um grande desafio precise de motivação e superação.

Entretanto, a metáfora usada traz símbolos simples como a plantação, sementes e serviço perseverante e extenuante, o que contrasta totalmente com o nosso mundo corporativo que tem na rapidez, no pragmatismo frio e na esperteza mutiladora uma espécie de indivisível tríade característica de quem é reconhecidamente uma pessoa bem sucedida.

No tempo deste importante botânico da antiguidade ainda não existiam as atuais tecnologias de aceleração de germinação de sementes. Naquele tempo se dava tempo ao tempo, a vida e a sabedoria. Plantar, cuidar da terra e esperar o brotar é o melhor modelo para aqueles que desejam frutificar em lugar de produzir.

Falo de um produzir que é sinônimo de uma linha de montagem tirana tão bem retratada pelo profeta Charles Chaplin em seu clássico Tempos Modernos, sim falo de um jeito adoecido e adoecedor de produzir requerido nas contemporâneas senzalas high tech onde as pessoas não passam de mais um produto no panteão tecnológico.

Creio em um frutificar de um desenvolvimento que é humano, social, ambiental e econômico, exatamente nesta ordem, pois só assim nós teremos um desenvolvimento econômico humano e inclusivo. Por isso que nos meus tempos de germinação no Projeto Cidade Futuro – Agenda do Milênio nós andávamos com sementes nas mãos insistindo com as pessoas que ainda é possível prestar atenção na terra, afofando-a com as próprias mãos e fecundando-a com a semente dos nossos sonhos.


quarta-feira, 16 de julho de 2008

Vou pescar!



Vou pescar!
Parece que acordei de um longo sonho,
Parece até que eu parei no tempo,
Parece até que nada aconteceu!
Vou pescar!
Quem sabe Ele apareça novamente,
Quem sabe volte a me chamar de amigo,
Quem sabe chegue andando sobre as águas,
Quem sabe?

O Homem junto à fogueira convida pra ceia,
para uma conversa sincera!
Brasas queimando na areia
E dentro de mim a lembrança de tê-lo negado,
Por nada!

É a hora da verdade aqui em volta da fogueira
Melhor lançar tudo que é palha no fogo!
Olhe bem dentro dos olhos do Homem que reparte o pão
E me diga se alguém é capaz de enganá-lo?

Tu sabes todas as coisas,
Tu sabes do meu amor por Ti!
Tu sabes todas as coisas,
Tu sabes do meu amor por Ti!

Vou pescar...

(composição: Stênio Marcius / gravação: João Alexandre)

Lançamento!!! Stênio Marcius!!!




Esta é a capa do mais novo CD de Stênio Marcius

Música cristã com qualidade! Bíblia em forma de poesia!

Conheça o repertório

1. Canções à meia noite
2. Alguém como eu
3. Acordo
4. Velha amizade
5. O Senhor do tempo
6. Tanto para dizer
7. Calendário
8. E se
9. Lenços dourados
10. Muralha
11. O Sonho
12. Para sempre

Para adquirir é só ligar para 11 3763 2437
ou enviar e-mail para Selma: sdeoliveiranogueira@hotmail.com

Lançamento Oficial: 3 de setembro (quarta-feira) no Auditório Rui Barbosa
Universidade Presbiteriana Mackenzie - São Paulo
Horário: 20h
Informações: 11 3763 2437 (c/ Selma)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Café Acadêmico de agosto - com Milton Schwantes


Faça sua inscrição pelo telefone 11 2618 7045 ou envie e-mail para jefferson.ramalho@editoravida.com.br


sexta-feira, 11 de julho de 2008

Reflexão (43) - Até que passem as calamidades




por Jefferson Ramalho

Na última reflexão que escrevi, mencionei que fui picado pela serpente do engano e que sem perceber, me envolvi em uma situação que estava me levando a um terrível abismo, mas que para mim não parecia abismo, e sim, a verdadeira e plena felicidade.

Obviamente eu não me referia ao diabo. Como já disse, ele não terá o gosto de me ouvir dizendo que é ele o responsável por coisas que acontecem em minha vida. Apesar de mim, a minha história está nas mãos do SENHOR.

Mas eu também não me referia a alguém, especificamente. Jamais diria isso de alguém, muito menos de pessoas para as quais eu sempre só desejei o bem, nunca o mal. A serpente do engano é minha inconsciência e minha própria incapacidade de discernir que há caminhos que, embora tenham aparências boas, são caminhos de morte, de escuridão e de lágrimas.

Da mesma maneira, me referi ao terrível abismo, que não poderia ser nada mais que esta turbulência e este tormento que todo ser humano experimenta na alma, após ter sido seduzido pelas próprias paixões, que na maioria das vezes são inconfessáveis.

De uma coisa estou certo. O Senhor está cuidando de mim. Ele é a Videira Verdadeira e eu sou apenas um ramo frágil e pequeno – não forte e grande, apesar do meu sobrenome – e estou enxertado nEle. Só espero que Ele me dê a Graça de daqui para frente, produzir bons frutos, mesmo eu sendo este ramo frágil que nEle está enxertado.

Bem! Um fruto Ele já tem produzido em mim de um mês para cá. O fruto do arrependimento. Que apesar da minha fragilidade e da condição pequena em que sempre me encontrei, especialmente diante da Grandeza dEle, eu possa ser alvo de Sua Misericórdia. Tudo o que tenho tentado fazer, é seguir o que ora o Salmo 57.1:

Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades.

na Graça,

Jefferson

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Reflexão (42) - Uma breve análise - sobre o caminho da Graça em Santos


Olá, recomendo a leitura calma e responsável deste texto/análise do Marcelo Quintela sobre os 3 anos de Caminho da Graça em Santos. Penso que esta análise cabe à todas as Estações do Caminho pelo Brasil, bem como a cada caminhante individualmente. Mais uma vez, obrigado Marcelo por ser quem voce é entre nós.
(Carlos Bregantim - Estação do Caminho da Graça em São Paulo).



por Marcelo Quintela

Desde que o Vento soprou por aqui, muita gente passou pela Estação, a partir do que um processo saudável de vinculamento tomou início. Até hoje ninguém se vinculou ao lugar como membresia arrolada. Não. O Chamado é para sermos membros uns dos outros. Não acho que uma coisa exclua a outra, acho só que a pedagogia do Evangelho exige que seja assim agora, visto que nossas mentes estão viciadas na institucionalização do Corpo (como se isso fosse possível!).

Obviamente, muitos não se vincularam comunitariamente. Tem quem não consiga fazê-lo sem preenchimentos de fichas e anúncios oficiais, cartas de transferência ou benção pastoral.

Outros tentaram ficar, mas não conseguiram se fixar no Nada, se sustentar sobre a falta absoluta de um chão institucionalizado. Ficaram perdidos sem pilares onde se apoiar, chocados com as colunas da secularidade que nos é típica e que chamam "profana". Sentiram-se inseguros sem sacerdotes que os intermediasse, sem vitrais que os inspirassem a mais propícia atmosfera, sem a cultura religiosa que melhor correspondesse à familiaridade de sua cristianização de nascença.

Reconheço que aqui é tudo tão simples que até dá raiva! Lugar onde as velhas magias, as unções fabricadas e os enredos frouxos não "colam". Não ficaram porque ficaram decepcionados com uma arquitetura ministerial sem degraus. "Como subir se não há degraus?" Não gostaram de serem designados somente "servos", tendo em vista o vasto currículo do sacro-ofício. Não se sentiram bem de serem tratados como gente.

Aliás, alguns não gostaram da gente. Não gostam de gente que se pareça com gente sem sentir vergonha disso. Quem fica numa Estação do Caminho da Graça, então? Por aqui fica quem já não tem mais perguntas a fazer a Deus, mesmo carecendo de muitas respostas.

Fica quem sabe que é doente, quem sabe que é o menor, que sabe que nada sabe e quem sabe como convém saber!

Fica, acima de tudo, quem sabe que é o principal dos pecadores. Fica quem não tem mais nada nas mãos para negociar.

Quem compra e vende no templo, não agüenta ficar por aqui. Não... não tem sentido, pois não dá lucro! Fica quem não tem nenhuma ambição para ficar, fica quem já morreu, fica quem faliu.

Para ficar aqui tem que lembrar que aqui não é um lugar de ficar, senão para servir o próximo que por aqui passa. Sim, aqui ninguém faz carreira, mas todo mundo tem compromisso com a samaritanização do amor de Deus na direção de gente roubada e extorquida pelo caminho da vida.

Quem fica por aqui tem que ter reverência pelo semelhante-tão-diferente, pelo diferente igualmente carente, faminto... humano!

Nesse ambiente de liberdade, ninguém é livre para dominar o povo!

Ninguém tem liberdade para infringir fardos pesados sobre costas alheias. Onde liberdade e reverência se encontram, legalismos e libertinagens não contam! Só fica aqui quem morreu para a Lei, e quem não vive mais para o pecado!

É assim que é. E em três assim sendo, já deu para ver que É!

Fique aqui, então.

Na mesma Graça,

Marcelo Quintela
(Caminho da Graça – Estação Santos – SP)


sábado, 28 de junho de 2008

Em novembro - Jesus é Deus?


Em novembro, a Editora Reflexão irá lançar o primeiro volume da tríade sobre a Divindade de Jesus Cristo na História do Pensamento Cristão.

Este primeiro tomo irá tratar da temática do primeiro ao quarto século, com ênfase nas discussões e definições cristológicas do Concílio de Nicéia (325), que foi o primeiro Concílio Ecumênico da História da Igreja.

O livro primeiro da pretensa tríade será chamado:

Jesus é Deus? - uma leitura sobre a divindade de Cristo na História

Confira o site da Editora Reflexão p/ tentar (re) conhecer o autor: hehe

http://www.editorareflexao.com.br/jefferson_ramalho.php

Abração,

Jefferson

Reflexão (41) - Agir rápido, agir juntos




por Leonardo Boff

Finalmente também as igrejas estão se mobilizando para enfrentar o aquecimento global. O secretário geral da ONU Ban Ki Moon visitou em março o Conselho Mundial das Igrejas em Genebra e disse: “um problema global exige uma resposta global: nós precisamos da ajuda das Igrejas”. E elas logo responderam com uma conclação aos milhões de cristãos dispersos pelo mundo afora, com as palavras:”Agir rápido, agir juntos porque não temos tempo a perder”.

Biblicamente enfatizaram que Deus nos entregou a Terra como herança para ser administrada, pois esse é o sentido hebraico de “dominai a Terra” que não tem a ver com a nossa dominação. Assumem os dois imperativos propostos pelo Painel Intergovernamental das Mudanças Climaticas (IPCC): a mitigação e a adaptação. A mitigação quer atingir as causas produtoras do aquecimento global que é o nosso estilo delapidador de produção e o consumo sem medida e sem solidariedade. A adaptação considera os efeitos perversos, especialmente nos países mais vulneráveis do sul do mundo que exigem de todos solidariedade e com-paixão, pois se não conseguirem se adaptar, assistiremos, estarrecidos, a grandes dizimações de vidas humanas.

As Igrejas assumem uma função pedagógica: ao evangelizarem, devem propor o ideal de uma sobriedade voluntária e de uma austeridade jovial e ensinar o respeito a todos os seres, pois todos saíram do coração de Deus. Sendo dons do Criador, devemos condividi-los solidariamente com outros a começar pelos que mais precisam. A Igreja católica oficialmente ainda não propôs nada de significativo. Mas a CNBB em suas Campanhas da Fraternidade sobre a água e sobre a Amazônia ajudou a despertar para a ecologia.

O bispos canadenses publicaram recentemente uma bela carta pastoral com o titulo:”a necessidade de uma conversão”. Atribuem à conversão um significado que transcende seu sentido estritamente religioso. Ela implica “encontrar o sentido do limite, pois, um planeta limitado não pode responder a demandas ilimitadas”.Precisamos, dizem, libertar-nos da obsessão de consumir. “O egoísmo não é somente imoral, é suicida; desta vez não temos outra escolha senão uma nova solidariedade e novas formas de condivisão”.

Chegamos a isso, reconhecem, porque há séculos não respeitamos mais as leis da vida, esquecendo a sabedoria antiga que ensinava:”não comandamos a natureza senão obedecendo a ela”. É mais fácil enviar pessoas à lua e trazê-las de volta do que fazer com que os humanos respeitem os ritmos da natureza. Agora estamos colhendo os frutos envenenados da dessacralização da vida provocada pelo poder da tecno-ciência a serviço da acumulação de poucos.

O judeu-cristianismo possui suas razões próprias para fundar um comportamento ecologicamente responsável e salvador. Parte da crença, semelhante à visão da cosmologia contemporânea, de que Deus transportou a criação do caos ao cosmos, quer dizer, de um universo marcado pela desordem a um no qual vige a ordem e a beleza. E Deus disse:”isso é bom”. Colocou o ser humano no jardim de Éden para que o “cultivasse e guardasse”. “Cultivar” é cuidar e favorecer o crescimento e “guardar” é proteger e assegurar a continuidade dos recursos, como diríamos hoje, garantir um desenvolvimento sustentavel.

Importa refazer a conexão rompida com a natureza para que possamos de novo gozar de sua beleza e de sua “grandeur”. Esta fé funda uma esperança de um futuro bom para a criação, tão bem expresso no livro da Sabedoria: “Senhor, tu amas todos os seres e a todos poupas porque te pertencem, ó soberano amante da vida”(11,24 e 26).

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Reflexão (40) - Lei da mordaça


por Caio Fábio

Hoje haverá grande manifestação em Brasília contra a PLC122, cujo texto de projeto de lei pode ser lido no seguinte site:

http://www.senado.gov.br/sf/publicacoes/diarios/pdf/sf/2006/12/14122006/38854.pdf

Muita gente vem me escrevendo acerca do tal Lei Contra a Homofobia pedindo de mim uma opinião, a qual, tendo em vista que em geral os "religiosos" são homofóbicos mesmo, não me interessei nem em ver o texto e menos ainda em discuti-lo.

Ontem, no entanto, atendo ao pedido de uma pessoa amiga e que ocupa o cargo de Senador da Republica, li o texto a fim de dar a minha opinião. Ora, a simples leitura do texto do projeto de lei me evidenciou de saída o fato de que o tal projeto não apenas incorre em várias inconstitucionalidades, mas, também, muito além disso, cria precedentes hostis e perversos, sem falar que dá, em tal caso, aos queixosos homossexuais, um poder de arbítrio sobre inúmeras áreas da vida comum, gerando o espaço legal para grande quantidade de exageros e exacerbações.

Em minha opinião o projeto de lei é inconstitucional na forma como está redigido, pois, gera uma soberania de direito ao grupo que demanda tal direito, que, pela própria natureza da formulação legal, anula outros direitos superiores e bem mais antigos em sua legitimidade.

Por exemplo, por tal lei, no caso de ela um dia vigorar, os demais direitos universais (como o de expressão de opinião de qualquer natureza, se for contrária às manifestações homossexuais, ainda que escandalosas), serão subjugados pelos direitos de qualidade "Homocráticas" de tal grupo, posto que, pelo bojo da proposta, declara-se mesmo a impossibilidade de discordar publicamente de práticas ou ideologias de conteúdo homossexual.

Ora, a tal PL122 supostamente se fundamenta em direitos inalienáveis, como os que protegem condições intrínsecas dos humanos, como raça, etnia e cor, mas, apesar de tudo, evoca os direitos da própria expressão religiosa (um dos direitos inalienáveis da Constituição), pondo-se em equivalência com aquilo que sendo objetivo não necessita nem de demonstração e nem de prova, como é o caso de uma raça ou etnia.

Uma raça é uma raça. Uma etnia é uma etnia. Portanto, são realidades universais e objetivas em sua constituição.

Não é a mesma coisa com a condição homossexual, a qual, como se sabe, tem casos de homossexualidade inata e intrínseca, tanto quanto também possui uma enorme quantidade de casos que não carregam traços inatos da condição, mas apenas configuram uma "escolha", não sendo, dessa forma, em hipótese alguma, algo que possa ser universalizado como universal é o direito de uma raça ou etnia.

Isto sem falar que a PL 122 também cria, de modo inerente, uma espécie de vitaliciedade empregatícia. Sim! Pois com as descrições de direito que teria um suposto homossexual ante um patrão (podendo ele alegar pela via da simples queixa que está sendo objeto de discriminação, não importando o grau de objetividade e de constatabilidade da denuncia) - todos os patrões são postos na difícil situação de temer despedir um funcionário homossexual, por qualquer que seja a razão trabalhista ou funcional, em razão de que sob ele pesará a possibilidade de ser condenado pela subjetividade ou até mesmo esperteza e ou maldade do funcionário queixoso.

Há de se ter leis que protejam os homossexuais de toda forma de discriminação real e objetiva. Do mesmo modo, há de se ter sempre leis que ao garantirem os direitos de minorias não o façam contra a expressão da maioria.

A presente PL 122, todavia, vai além da proteção aos direitos dos homossexuais, e, por outra via, passa a ser uma lei de Homossexualismo ao invés de ser um lei de proteção ao direito de ser homossexual numa sociedade democrática e pluralista.

Acho fundamental aqui fazer duas distinções que julgo importantes:

1. Homossexualidade não é homossexualismo. Homossexualidade pode ser uma condição psíquica ou até congênita (ainda a ser completamente provada, e, até agora, relacionado à minoria dos casos), a qual, na maior parte das vezes, é praticada com descrição e recato natural, assim como deve proceder um heterossexual sadio. Já o homossexualismo é ideológico, político, impositivo, catequético, fundamentalista em seu fervor fanático, e, sobretudo, trata-se de um movimento "sindicalizante" e hostil. Ora, a presente PL 122 é tipicamente um projeto de lei homossexualista e altamente ideológico.

2. Direitos Universais são caracterizados pela inafastabilidade objetiva da condição existente. Assim, etnias e raças carregam a si mesmas em seus direitos universais. Ora, o mesmo não se pode dizer da homossexualidade, a qual existe em estado de profunda subjetividade, além de que está há anos luz de distancia de qualquer coisa que se possa chamar de condição universal. Desse modo, creio que a presente PL 122 faz universal um particular da existência humana. Ora, em tal caso, creio que uma outra PL deve ser proposta, mas que não carregue em si "direitos" que soneguem outros direitos universais já estabelecidos e por todos aceitos como fruto do bom senso.

Aqui me eximo de falar sobre outras implicações do presente Projeto de Lei 122, posto que a meu ver são apenas reações angustiadas ante à desvairada propositura da PL122, mas que não tratam das questões de sua inviabilidade Constitucional.

Isto posto de modo muito rápido, concluo dizendo que creio que o que de melhor se faria seria derrubar tal PL122, e, no lugar dela, que parlamentares equilibrados, e que, portanto, não fossem nem militantes homofóbicas e nem militantes homossexualistas, propusessem um novo projeto de lei, o qual deveria dar respeito e dignidade aos homossexuais em nossa sociedade, ao mesmo tempo em que eles não fossem feitos os juizes e os executores de leis conforme se prevê nesta fatídica PL122.

O meu temor agora é pelas manifestações de amanhã, como Silas, Linhares e Cia. LTDA vociferando ódios, de um lado; enquanto, do outro lado, os "homossexualistas" ganham mais um argumento apenas assistindo o destilar do ódio de seus opositores.

A PL 122 é uma desgraça. Pena que não é apenas ela, pois, sendo justo, tem-se que admitir que os modos da refutação sejam tão cheios de ódio e de homofobia, que, por tal razão, até quem está errado fica certo pelo ódio do antagonista.

A verdade tem que ser seguida em amor. Pois, do contrário, até a verdade se torna mentira quando os modos são os do ódio.

Podendo escrever muitas outras coisas, mas atendo-me apenas a estas, peço as orações de todos, pois, o resultado de tudo isto pode ser a criação de muito mais ódio numa sociedade que está perdendo por completo o amor e a reverência pelo próximo.

No espírito que Dele tenho aprendido,

Caio Fábio

Lago Norte

Brasília / DF

Caio Fábio D'Araújo Filho é teólogo, psicanalista, escritor e mentor espiritual do movimento "Caminho da Graça". Hoje o movimento tem grupos - denominados Estações do Caminho - se reunindo em diversas cidades do Brasil e do Mundo; e em Brasilia, no auditório do Colégio La Salle - 906 Sul, todo domingo, às 19h00.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Reflexão (39) - Testemunholatria



por Carlos Bregantim

O testemunho pessoal sempre foi um item relevante na caminhada de um cristão. O testemunho natural, aquele que acontece no cotidiano. O caminhar de um cristão pela vida necessariamente gera fatos que se tornam relevantes e aí está um testemunho. Sim, neste caminhar na vida, em alguns momentos podem acontecer fatos mais extraordinários que poderiam ser chamados até de milagres. Estes fatos, dependendo da importância que têm para cada uma das pessoas que os vive, acabam sendo relatados, ou, por si só, isto é, o fato, aparece sem que seja necessário que se fale dele.

Na verdade os melhores testemunhos são aqueles que aparecem naturalmente. Fatos que acompanham a vida de um cristão. Presença, palavra, atos, gestos que em sendo o normal de um cristão, ganham visibilidade e se tornam incentivos aos que vêem, em viver do mesmo modo e influenciarem seus contextos de vida. O tal testemunho de vida é algo na verdade muito bem-vindo e deve fazer parte do caminhar de um ser humano visitado pela graça de Deus, e por isto entende que deve viver servindo ao mundo e a Deus. Este ser humano pode ser chamado de cristão, pois, cristão é um ser humano que, por ter se encontrado com Cristo, se olha e olha o mundo com lentes graciosas.

Este tipo de testemunho era o que se via nos primeiros dias da chamada "igreja primitiva". Sim, algumas dessas testemunhas, por darem um testemunho que confrontava o sistema injusto, opressor, imoral, antiético, anti-vida que os circundavam, perderam a própria vida. Tais testemunhas davam testemunhos não sobre si mesmos e o quanto tinham recebido, enriquecido, livrado, curado, não; estes testemunhavam a respeito da FÉ que tinham abraçado e que lhes tinha abertos os olhos para enxergar o que de fato precisava ser enxergado.

A Fé que eles abraçaram abriu-lhes os olhos para ver a miséria, a pobreza, a injustiça, o desamor, os pré-conceitos, os males gerados por uma consciência deformada. Insisto, estes testemunhas e testemunhos estão em falta hoje, pois hoje, o que temos é a TESTEMUNHOLATRIA.

Chega ser insuportável ouvir o que no meu entender se tornou uma doença ou pior, uma ferramenta, um instrumento de negócio neste mercado da fé. São os "ex" que vomitam as suas histórias, mazelas, experiências. Num mundo injusto e pobre, o que mais se ouve, são os que quebraram, faliram, mas, como que em passes de mágica puderam ver aparecer em suas contas bancárias valores que sabe Deus de onde vieram.

Testemunhos na sua maioria de gente egoísta, cujos testemunhos só relatam o que ganharam para si. Em geral são testemunhos egocêntricos sem nenhum sinal de solidariedade para com os outros, os próximos. Testemunhos que diminuem e desconsideram os outros, que buscavam a mesma benção, a mesma vaga, a mesma posição, o mesmo lugar ao sol.

Testemunho que traz todo holofote para o próprio testemunho ou à instituição religiosa à qual pertence. Testemunho que engrandece o atendido, aquele que orou, o lugar onde aconteceu, o ambiente, o culto, e por aí vai. Sem falar que certos testemunhos na verdade tocam na dignidade de pessoas simples e sinceras que parecem ser obrigadas a testemunhar e são constrangidas a fazê-lo. Sem falar nas denúncias de pessoas que são contratadas para testemunhar.

Gostaria de ver além de gente testemunhando pra valer na vida fora dos holofotes, gente que tivesse a coragem de testemunhar a respeito da tal BENÇÃO QUE NÃO VEIO, da oração que não foi atendida segundo o que foi pedido, do enfermo que acabou morrendo, da vaga que não foi conquistada, da posição que não foi atingida, do dia mal, das noites solitárias, das madrugadas insones. Gostaria de ouvir testemunhos destes que apesar de tudo diriam como Habacuque: Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas.

Chega de TESTEMUNHOLATRIA!

A vida não é como se ouve nestes testemunhos. A vida é mais que testemunhos. A vida é melhor que os testemunhos. A vida tem seus sabores, suas dores, ganhos e perdas, mas, é neste palco que a vida de fato acontece. Os testemunhos de palco servem mais àqueles que desejam fugir da vida. É no chão da vida que a vida acontece pra valer e é ali que o Eterno se manifesta o tempo todo. Bem-aventurados os que vivem a vida no lugar onde a vida está acontecendo. Bem-aventurados os que percebem e desfrutam da presença do Eterno no lugar onde a vida está acontecendo.

Graça, paz & bem.

Com carinho e responsabilidade.

Carlos Bregantim

domingo, 1 de junho de 2008

Críticas de Carlo Maria Martini à igreja


por Elisabetta Piqué

ROMA.- "La Iglesia debe tener el coraje de reformarse." "A la Iglesia se le debe ocurrir alguna idea."

A los 81 años, el cardenal Carlo María Martini, jesuita y una de las voces más prestigiosas de la Iglesia, famoso por sus posiciones abiertas en varios temas, como el control de la natalidad, ha vuelto a sacudir las aguas. En Conversaciones nocturnas en Jerusalén , un libro recientemente publicado en Alemania, editado por Herder y considerado su "testamento espiritual", este reconocido intelectual y biblista hace un fuerte llamado a la Iglesia a reformarse y a no alejarse de las enseñanzas d
el Concilio Vaticano II.
En un diálogo con otro jesuita, el padre Georg Sporschill, Martini confiesa haber estado en conflicto con Dios; elogia al padre del protestantismo, Martín Lutero; defiende el debate sobre el celibato y la ordenación de mujeres, y reclama una apertura del Vaticano en materia de moral sexual. Según extractos que aparecieron en el diario La Repubblica , Martini demuestra en el libro una abierta sinceridad. En una afirmación más que impactante, reconoce, por ejemplo, que hubo en tiempo en que "soñé una Iglesia en la pobreza y en la humildad, que no depende de las potencias de este mundo. Una Iglesia que concede espacio a la gente que piensa más allá. Una Iglesia que da coraje, especialmente a quien se siente pequeño o pecador. Una Iglesia joven. Hoy ya no tengo estos sueños. Después de 75 años he decidido rezar por la Iglesia".

Durante 22 años arzobispo de Milán, la mayor diócesis del mundo, y "papable" del ala progresista, el cardenal exhorta a la Iglesia a tener el valor de reformarse, algo esencial para poder ir hacia el futuro. Indica que el celibato debe ser una verdadera vocación, y que quizá no todos tienen el carisma para esto. Fuerte expectativa El libro aún no ha salido en Italia, donde será publicado por Mondadori en septiembre próximo. Si bien probablemente el papa alemán ya debe de haber leído el libro, la mayoría en el Vaticano aún no lo ha visto, y lo espera con gran expectativa.

Martini -que en los últimos años vivió en Jerusalén, pero que ahora ha regresado a Gallarate, cerca de Milán, para seguir un tratamiento para combatir el mal de Parkinson- no le teme a la idea de volver a discutir cuestiones de moral sexual.

Critica la encíclica Humanae Vitae (1968) sobre el control de la natalidad, que para él tuvo "consecuencias negativas", y a su autor, Pablo VI, que "sustrajo conscientemente el tema a los padres conciliares". Sentencia que "quiso asumir la responsabilidad de decidir sobre los anticonceptivos, y esta soledad decisional a largo plazo no fue una premisa positiva para tratar los temas de sexualidad y familia".

La encíclica Humanae Vitae A 40 años de la encíclica, Martini, que hace unos años se pronunció en favor del uso del preservativo como mal menor, sostiene que habría que darle "una nueva mirada" a la materia. Quien dirige la Iglesia, destaca el cardenal Martini, hoy puede "indicar una vía mejor que la Humanae Vitae ". En cuanto a la homosexualidad, afirma: "Entre mis conocidos hay parejas homosexuales, hombres muy estimados y sociales. Nunca nadie me pidió, ni jamás se me habría ocurrido, condenarlos".

Frente a la creciente escasez de sacerdotes considera que confiarle a un párroco más parroquias, o importar curas del exterior no son soluciones. "A la Iglesia se le debe ocurrir alguna idea", pide Martini, para quien debe debatirse la posibilidad de ordenar hombres casados de reconocida fe.

Otra afirmación provocativa de Martini, que hace tres años tuvo una porción significativa de votos en el cónclave que consagró papa a Benedicto XVI, es que "uno no puede hacerlo a Dios católico", frase en sintonía con una famosa de la Madre Teresa de Calcuta, que decía directamente: "Dios no es católico". El famoso intelecutal indica que siempre los hombres necesitan de reglas y límites, pero que Dios está más allá de las fronteras que suelen levantarse.

Elisabetta Piqué
Corresponsal en Italia

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Para refletir - Tarde te amei
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova!
Tarde demais eu te amei!
Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!
Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas.
Estavas comigo, mas eu não estava contigo.
Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem.
Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez.
Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira.
Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti.
Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz...
Santo Agostinho


Mais informações sobre o evento e como fazer a sua inscrição:

Os participantes terão direito a: Material didático, certificado, caneta, cartão de bônus (ao acumular 5 cartões, o participante terá direito a uma inscrição gratuita) e 30% de desconto nas obras teológicas da
Editora Vida.

Local:
rua Júlio de Castilhos, 280 - Belenzinho - São Paulo.
Corra para fazer sua reserva, pois as vagas são limitadas.
Inscrições pelo telefone (11) 2618 7045 ou pelo e-mail
jefferson.ramalho@editoravida.com.br


quinta-feira, 22 de maio de 2008

Vídeo (8) - Sem a Cruz de Jesus, ninguém é salvo! - por Caio Fábio


Sem a Cruz de Jesus, ninguém é salvo; mas por causa da Cruz de Jesus, qualquer um pode ser salvo, independentemente de si mesmo. Depende apenas da vontade de Deus.

"Sem a Cruz de Jesus, ninguém é salvo!Aí você me pergunta: e aqueles que nunca ouviram falar dEla?Se alguém nunca ouviu falar dessa Cruz, e se chegar ao Céu, vai descobrir lá que chegou não foi porque foi um excelente índio, um excelente hindú ou um excelente qualquer coisa em algum lugar; mas foi porque o Criador entregou e Seu próprio Filho pra derramar o Seu sangue na Cruz do Calvário."

Trecho da reflexão do pr. Caio Fábio, em Jerusalém, no ano de 1994.

Vale a pena ver de novo!!!
Clique no link abaixo e assista:

http://br.youtube.com/watch?v=6jFTAiyjPFs

terça-feira, 20 de maio de 2008

Resposta (4) - Sobre a Reflexão (38)


pr. Nivaldo Nassiff, Graça e Paz!

É com muita simplicidade, mesmo, que tentarei escrever alguns comentários a partir do que o amado me solicitou.

Sua primeira indagação diz: Você sempre menciona, nesta sua reflexão, o Caminho com letra maiúscula. Significa que o Caminho é somente uma palavra, que ensina por onde caminhar, ou significa algo mais, como uma nova expressão da comunhão com Jesus, em nossos dias? Cristo é o caminho (ou seja, o jeito certo de se relacionar com o Pai) ou o Caminho é uma nova maneira pela qual as pessoas expressam sua fé? Cristianismo é desvio, a nova religião chamada Caminho é o certo para nossos dias? Será isso que você quer dizer?

Quando usei o termo Caminho com "C" maiúsculo, não me referi a nada que não fosse o próprio Cristo como única alternativa existente para o ser humano ser conduzido a Deus. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai (ou vem, nas palavras do próprio Jesus) ao Pai, a não ser por Ele. Portanto, Caminho não se refere a uma nova religião, a uma nova igreja, a uma nova denominação, nem mesmo a uma nova expressão de comunhão com Jesus. Ele é o Caminho e não algo que conduz a Ele; e Ele enquanto Caminho, pode conduzir qualquer ser humano (cristão ou não, por exemplo, o centurião) até Deus.

Na segunda indagação, o amado diz: Mas, tenho uma outra pergunta: Nestas situações, o que você pensa seria melhor: Destruir o Cristianismo ou reformá-lo? Quero dizer: Será que a História já não tem provado que novos nomes para explicar a comunhão com o Pai, por meio da Graça exposta em Jesus, com os tais novos nomes (e às vezes, esses novos nomes de expressão da comunhão com o Pai são intensamente atrelados aos novos visionários que só enchergaram hoje o que ninguém enchergou nos últimos dois milênios), não confunde mais do que ajuda? É fato Histórico que muitos (não todos) iniciadores de uma nova visão foram pessoas que (em algum momento de sua caminhada (com c minúsculo) com Jesus dentro das tradicionais vertentes do Cristianismo) ou brigaram com a coisa instituida ou preferiram acomodar seu novo estilo (moral e ético) de vida, a uma nova expressão de sua fé; e assim, encontrando uma nova visão. Isto sempre me deixa com pulga atraz da orelha. Como você acha, amado irmão, poderíamos manter as pessoas numa singela e alegre caminhada com Jesus, sem caírmos no erro de inaugurarmos uma nova religião santa e imaculada?

Respondo: Nem destruí-lo nem reformá-lo. Penso que o Cristianismo do evangelho jamais será destruído. Já o Cristianismo ao qual chamo de desvio, pois se afastou da essência do evangelho de Cristo, este não precisa ser destruído ou reformado. Precisa, se necessário, ser abandonado. Romper com a instituição seria uma alternativa coerente, mas não a única. É possível ser cristão conforme o Cristianismo de Cristo, mesmo permanecendo na ambiência do Cristianismo ao qual chamei de desvio. Por que? Porque até na instituição cristã (católica e protestantes) estão pessoas que conheceram um evangelho corrompido e manipulado pelas lideranças eclesiásticas, e por esta razão, precisam ser re-evangelizadas, se é que assim podemos falar.

O maior campo missionário está nas igrejas evangélicas, principalmente. Pessoas que conheceram o livro, mas não conheceram a Mensagem; conheceram o nome, mas não o Nome; ouviram sobre uma suposta graça, mas não entenderam de fato o escândalo da Graça; foram alienadas a ponto de acreditarem que o culto a Deus se resume em tempo (dias de culto) e em espaço (no lugar onde a igreja tem o seu templo construído), e não entenderam que na verdade o culto a Deus é uma constante caminhada no Caminho da Graça de Deus - Jesus Cristo - e lá, na melhor das hipóteses, deveria ser um local de encontro, de comunhão entre pessoas que caminham no mesmo Caminho, uma espécie de parada, de estacionamento, de estação.

Reformar (re-formar) o cristianismo é outro absurdo. O Cristianismo do evangelho e do livro de Atos não precisa ter forma, mas precisa ter vida; não precisa ter cara, precisa ter identidade; não precisa ter rótulo, precisa ter as marcas de Jesus Cristo - como tinha Paulo; não precisa ter templo, precisa ser o templo; não precisa ter catecismos e confissões de fé à moda medieval mas com cara protestante, precisa ter o evangelho no coração e na alma.

Nas últimas observações, o senhor perguntou: E (ajude-me, por favor) quando reconhecemos (e eu reconheço) que uma pessoa pode sim, ter uma experiência genuina de salvação fora das paredes do Cristianismo, poderia também crer que uma pessoa poderia ter uma experiência genuina de salvação dentro das paredes dos Cristianismo? Pois se o centurião, no meio da idolatria ferrada, em meio à adoração de pessoas (o imperador um semi-deus inerrante), conseguiu encontrar Jesus, será que dentro das paredes do Cristianismo, Jesus conseguiria aparecer àqueles que (ignorantes, quem sabe), genuinamente acreditam e, até se esforçam por manter uma vida de comunhão com o Pai, mergulhados na Graça?

Penso que o Sacrifício do Cordeiro antes da fundação do mundo e manifesto na História cerca de dois mil anos atrás, foi suficiente para não depender da existência de uma instituição religiosa chamada cristã, mesmo que esta fosse totalmente fiel ao evangelho de Jesus Criso em toda a sua existência sem nunca se corromper, que infelizmente não foi o que aconteceu. Do quarto século para frente, foi só catástrofe atrás de catástrofe promovidas pela igreja cristã em nome de Deus e do evangelho. Mas mesmo que essa igreja nunca tivesse saído de sua simplicidade e pureza à luz da mensagm do Mestre, ainda assim seria possível Deus operar salvação em quem Ele quisesse, afinal de contas, nisto consiste Sua Soberania, não em depender da obediência, da decisão e da permissão de um indivíduo para poder salvá-lo, mas exclusivamente de Sua Graça.

Mesmo sendo ofendido, amar e dar de graça a vida eterna, ser crucificado e simplesmente dizer: Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem. Deus não depende nem da existência nem da não existência da instituição para graciosamente colocar alguém no Caminho. Preferível até, é que Ele salve fora das muralhas da religião cristã, pois esta, infelizmente, com toda a sua dogmática e sistematização da teologia e da prática de fé de um modo geral, consegue mais afastar uma pessoa do Caminho do que propriamente ajudá-la a permanecer. Por isso, chamei esse Cristianismo de desvio.

Espero ter sido claro, meu irmão!

E mais do que esperar ter sido claro, escrevo orando a Deus para que em nenhum momento minhas palavras tenham teor de soberba, arrogância e presunção como de alguém que ingenuamente pensa que consegue em um simples texto, explicar peculiaridades a respeito do Altíssimo.

Abração!

na Graça, com temor e tremor,

Jefferson

sábado, 17 de maio de 2008

Resposta (3) - Sobre a Reflexão (38)


dr. Lourenço,

Bendita seja a hora em que o senhor leu o meu modesto artigo Cristo é o Caminho, o Cristianismo é o desvio.

Mais uma vez, obrigado por tê-lo lido e perguntado se eu me referia ao Cristianismo ou à Cristandade.

Quando por e-mail lhe agradeci, o amado muito educada e gentilmente me respondeu: Não há de que. É apenas um detalhe, mas que achei importante citar. Recentemente conclui meu doutorado em que trabalhei um pouco sobre cristianismo-cristandade em Enrique Dussel e o cristianismo como alternativa vencedora dos movimentos de Jesus na abordagem de Eduardo Hoornaert.

Diante disso, passei a encarar a resposta ao seu comentário como uma verdadeira missão. Contudo, após ler Enrique Dussel, que há aproximadamente quatro anos ficara abandonado em minha prateleira e Eduardo Hoornaert, que localizei através de uma busca rápida na internet, fiquei simplesmente maravilhado. Mais do que isso, se minha leitura não estiver incorreta, percebi que o que escrevi naquele modesto artigo não foi tão absurdo assim.

Além de consultar Dussel e Hoornaert, também bati um papo com Kierkegaard, numa conversa em que somente ele falou, claro. Lembrando que sou cristão e não acredito em conversas com os mortos, mas neste caso, bem que valeria a pena a invocação a espíritos mais elevados fazer parte da crença e da prática cristãs. (Meu Deus, agora que me jogarão na fogueira, mesmo!).

Percebi que ao me referir ao Cristianismo não-bíblico, ou seja, o institucional, terreno, humano, político e corrupto, eu estava me referindo à também chamada Cristandade. Mas ao me referir ao Caminho, eu me referia ao Cristo – não a uma organização ou movimento chamado Caminho – eu me referia ao Evangelho Encarnado, ao Cristianismo Real e Bíblico, o do Novo Testamento, o do Livro de Atos, àquele que para Eduardo Hoornaert não tolera o proselitismo.

Muito pertinente as palavras de Hoornaert no seguinte comentário:

Quando procuramos saber com certo rigor científico como se originou o cristianismo, nos defrontamos com diversas explicações. Uns dizem que Jesus fundou a igreja tal qual a conhecemos hoje, e que por conseguinte São Pedro foi o primeiro papa. A igreja seria a expressão mais legítima da idéia de Jesus. Essa é a explicação católica clássica. Outros dizem que ele pregou uma mensagem subversiva que depois foi recuperada pela igreja. Os que falam assim situam normalmente o surgimento da igreja na segunda parte do século II. Essa segunda explicação começou a ser contemplada no começo do século XX por protestantes alemães, professores como Adolfo von Harnack, Ernst Troeltsch, Max Weber e outros. Eles tiveram que arcar com oposição dentro de suas igrejas, mas sua tese ganhou sempre mais adeptos e, hoje, é aceita pela maioria dos estudiosos protestantes. No campo católico a coisa foi mais difícil. Um padre francês, Alfred Loisy, fez, igualmente, no início do século que se finda, uma claríssima distinção entre evangelho e igreja. Dele é a famosa frase: ‘Cristo pregou o evangelho, mas o que veio foi a igreja’. Loisy sofreu a mais ferrenha oposição, foi humilhado, taxado de ‘modernista’ e morreu isolado de seus colegas. Se eu não estiver enganado, até hoje os candidatos ao sacerdócio católico têm que prestar o juramento anti-modernista. Não sei se já foi abolido. Mesmo assim, a tese de Loisy está sendo aos poucos assimilada nas recentes publicações católicas, e aceita como conclusão de novas e valiosas pesquisas históricas. Efetivamente, depois dos livros de Crossan, Meier, Charlesworth e outros (todos pela editora Imago) é difícil sustentar ainda que Jesus ‘fundou a igreja’.

Sobre o que li de Enrique Dussel, fiquei bastante satisfeito, especialmente ao ler palavras como estas:

A Christianitas (Cristandade) veio a identificar-se com o cristianismo. A Teologia aceitou demasiadas estruturas imperiais, sociais, culturais, lingüísticas, sexuais, como momentos essenciais do cristianismo. Dessa maneira, a grande teologia com método platônico ou neoplatônico veio a justificar a dominação política e social dos primeiros séculos da Cristandade bizantina e latina.

Por fim, eu diria que a melhor maneira de sair dessa “enrascada” seria dizer que ao chamar o Cristianismo de desvio, me referi ao Cristianismo da Cristandade e não ao Cristianismo do Evangelho de Jesus Cristo.

Para salientar essa – talvez muito ingênua – convicção, me ampararei nas citações e comentários que o historiador Justo L. Gonzalez faz de Sören Kierkegaard:

Embora Kierkegaard tenha sido aclamado como um grande filósofo e o fundador do Existencialismo moderno, ele não se viu como um filósofo, mas, ao contrário, como um cavaleiro da fé a quem fora dada a missão de tornar o Cristianismo difícil. O que ele quer dizer com isto não é que ele deseje impedir outros de se tornarem cristãos, mas, pelo contrário, que ele deseja mostrar quão ardoroso e desgastante é o Cristianismo, para desafiar grandes almas a abraçá-lo. O “Cristianismo da Cristandade” não é Cristianismo real. [...] Em um curto artigo publicado em 1854, ele atacou os ministros populares e bem-sucedidos de seu tempo, dizendo que “representar um homem que, por meio da pregação do Cristianismo alcançou e gozou em grande medida todos os bens e prazeres seculares, representa-lo como uma testemunha à verdade é tão ridículo quanto falar sobre uma mulher solteira que está cercada por sua numerosa tropa de crianças”. E em outro lugar, ele torna claro o impacto radical que o verdadeiro Cristianismo deve ter na pessoa que o abraça.

Bem, penso que seja isso.

Agradeço muito pela contribuição que o senhor me deu ao simplesmente perguntar:
Colegas, vocês estão falando de “cristianismo” ou “cristandade”?

Abraço!

na Graça,

Jefferson

Fontes consultadas:

DUSSEL, Enrique. Teologia da libertação – um panorama de seu desenvolvimento. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. (trecho citado: p. 17).

GONZALEZ, Justo L. Uma história do pensamento cristão – da Reforma Protestante ao século XX – vol. 3. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. (trecho citado: p. 372).

HOORNAERT, Eduardo.
http://www.igrejanova.jor.br/hispor.htm.