quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Reflexão (32) - Autoridade corrompida


por Jefferson Ramalho


“Igreja com autoridade para evangelizar pessoas!”
É o que diz o lema de uma determinada comunidade em frente da qual eu passei no sábado, em uma cidade do litoral paulista. Embora minha reação imediata tenha sido de espanto, não resisti à tentação e acabei soltando uma piadinha para quem estava ao meu lado: E daria para evangelizar cavalos, em vez de pessoas? É cada uma que a gente vê! Obviamente, as gargalhadas foram inevitáveis. Minhas e de quem estava comigo.

Infelizmente é esse tipo de coisas que vemos em placas de igrejas, nos folhetos de divulgação sobre cultos de “milagres”, nos boletins informativos que recebemos ao entrar naquela igreja tradicional que freqüentamos, enfim, nos mais diversos meios utilizados pela igreja institucional.

O maior de todos os problemas, em minha limitada maneira de enxergar as coisas, não está em existir erros ortográficos, porque isso sempre terá mesmo, principalmente em igrejas onde os pastores não são formados, mas desinformados, onde o rebanho é estimulado a não estudar porque o importante na vida cristã é a unção e não o conhecimento, enfim, onde tudo o que cheira reflexão e exercício da intelectualidade representa ameaça à “fé”.

Penso que o maior problema está na não existência de autopercepção, isto é, onde quem manda no negócio, não consegue se enxergar, e mais do que isso, quer levar outros juntos com ele. É o típico farisaísmo. Por outro lado, esses espertalhões, conquanto não consigam perceber suas próprias bestialidades, quando o assunto é dinheiro, eles não são nem um pouco burros, mas são especialistas, doutores, verdadeiros catedráticos...

E aí minha pergunta é: que autoridade é essa, meu Deus? Eles dizem que têm autoridade, mas fazem exatamente aquilo que o conceito neotestamentário de autoridade diz que não deve ser feito. Eles não querem servir, mas serem servidos. E quando servem, pensam em retorno. Se o retorno não for possível, nada feito.

Jesus ao lavar os pés dos discípulos, deixou claro que aquele ato representava melhor do que qualquer outro o conceito de autoridade que os seus seguidores deveriam assumir para si. Autoridade, portanto, não é mandar nos outros, não é falar mais alto que os outros, não é pregar somente aos domingos à noite, não é vestir as melhores vestes sacerdotais, não é nada disso. Autoridade, no Novo Testamento, é servir. E servir é amar, é abrir-mão do que se tem para compartilhar com quem não tem, é se doar, é se sacrificar muitas vezes, é negar a si mesmo, é não se preocupar com reconhecimentos ou recompensas, é não negociar com Deus ou com o próximo, é não trocar ofertas e ajudas por o que quer que seja.

Se alguém “serve” pensando em ser servido, ainda não aprendeu o que é autoridade conforme o Evangelho. Se alguém doa algo pensando na recompensa que poderá vir de Deus ou do próximo a quem se está servindo, ainda não entendeu o que o Mestre ensinou sobre amar o outro como Ele nos amou.

E o amor com o qual Ele nos amou, o fez se servir a outros, o fez se entregar, o fez ir à Cruz sem reservas, sem barreiras, sem condicionamentos, sem trocas, sem negociações, e do ponto de vista humano, sem garantias. E nós? Temos ido à Cruz por alguém? Quando gritamos para o mundo que temos autoridade para evangelizar – pessoas, é claro – pensamos que esta evangelização consiste em serviço à comunidade onde estamos inseridos, ainda que os membros desta comunidade não queiram fazer parte de nossas reuniões? Claro que não. A igreja institucional, quase sempre, quando serve, pensa em ser servida. Ouvimos absurdos do tipo: _Vamos ajudar, mas a pessoa precisa vir pra igreja.

Isso não é autoridade, tampouco evangelização. É negociação, é interesse, é barganha, é tratar as pessoas como se não se fossem pessoas. Isso, na maioria dos casos, é a chamada “igreja evangélica”!

na Graça,

Jefferson

2 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
prlevi disse...

Que autoridade é essa meu querido Jefferson?

É a OTORIDADE da busca de notoriedade, relevancia e reconhecimento dos homens.

Os cavalos sào melhores.

Na Jornada,

Levi Araújo