terça-feira, 16 de março de 2010

Reflexão (67) - Sou universalista!


por Jefferson Ramalho

Há uma certeza em minha alma acerca de mim mesmo! Apesar das "divagações" que têm ocupado tempo e espaço em minha mente nos últimos meses, a Graça continua sendo uma convicção do meu coração, não apenas da mente.

Ao mesmo tempo, tenho conseguido repensar toda a intolerância que pratiquei com palavras e sentimentos durante os meus doentios anos de evangélico. Hoje, sou cristão, seguidor da tentativa de tentar seguir Jesus de Nazaré. Acredito que Ele foi o Cristo. Mas, acredito em seu amor como algo que ultrapassa as fronteiras da religião, da confessionalidade, da declaração de fé, da identidade cristã.

Não é preciso ser ou se tornar cristão para que Deus salve uma alma. Deus nunca dependeu de atitudes ou decisões humanas para fazer o que quer que seja. Ele é Ele! Ou você duvida disso? Acredita ser mais poderoso que o Altíssimo ao ponto de resistir a sua vontade amorosa e incomparável de salvar seus filhos?

Posso estar equivocado, afinal, Ele é todo mistério, indefinível, único! Mas, não consigo ser mais aquele calvinista doente e fundamentalista que fui quando descobri a teologia como quem acha que descobriu a roda. Contudo, não significa que eu esteja me declarando arminiano! Jamais! Seria, na minha opinião, agredir a Graça, o Amor incondicional do Mestre, a Soberania do Deus dos deuses, a essência do Evangelho.

Então, o que me resta? Várias alternativas! Uma delas é a de afirmar com todas as letras que sou um universalista! Sim! UNIVERSALISTA! O amor de Deus é mais forte que a impiedade de todos os imperadores cruéis da história juntos, somados à maldade de um Hitler e à impiedade de pastores evangélicos que ganham milhões por minuto nas costas de gente inocente.

Os membros do Alto Clero, na Idade Média, não foram nada perto destes malandros dos nossos dias. Mas, ainda assim, Deus pode salvá-los. Ele é amor!

Acho engraçado a facilidade que um evangélico tem para condenar ao inferno pessoas que vivem nas condições de homossexualidade, prostituição, adultério e todo o tipo de prática que na visão religiosa são pecados da carne, do sexo, imperdoáveis!

Só que estes mesmos evangélicos, quando questionados acerca de seus pastores que enriquecem a cada dia às custas de ofertas e dízimos de seus seguidores, chegam a dizer apenas o seguinte: __Eles prestarão contas com Deus!

Engraçado, não? Um adúltero ou uma prostituta vão para o inferno sem direito a explicações! Um pastor safado, não! Este terá direito de prestar contas, para quitar sua pendenga e, em seguida, ser recebido na Glória Eterna pelos Anjos de Deus!

Se esqueceram que as prostitutas, ainda que sem deixarem a prostituição, nos precederão no Reino? (Mt 21.31s) E os pastores? Estes chegarão primeiro? Por que não? Apesar de fazerem o que fazem - a maioria deles é assim - também terão espaço na casa eterna, afinal, lá há muitas moradas! Até para pastores! E se estes são salvos pela Graça de Jesus, qualquer um será! Sou universalista porque acredito no amor incontido, incondicional, indescritível e misterioso de Deus!

Pergunto: se eu for salvo, quem não será?

É isso!

na Graça,
Jefferson

8 comentários:

Música, Ciência e Teologia disse...

Jeff, acho triste você assumir uma postura universalista quando a Bíblia não é universalista. O próprio Cristo veio para salvar o Seu povo dos seus pecados (Mateus 1:21). Mas isso não me impede de continuar a nossa amizade.

O amor de Deus não está acima de nenhum outro atributo dEle. Esse é o erro que os relacionais cometem, hipervalorizando um atributo em detrimento do outro.

Espero que o calvinismo doentio que vc viveu não sirva de parâmetro para vc avaliar o calvinismo de outros calvinistas. Eu sou calvinista, mas não sou doente. E quanto a ser fundamentalista, seria bom ressaltar que nem todo fundamentalista é "xiita".

Abraço e até mais, Marcos.

Jefferson Ramalho disse...

Marcos, amigo!
Vai em forma de comentário, mesmo!
Desculpe-me se pareceu ofensivo a vc o que escrevi, meu mano.
É que, realmente, não consigo separar esses rótulos - ainda que não sejam apenas rótulos - como calvinista e arminiano, por exemplo, da condição de doença. Doença, claro, no sentido de um adoecimento causado pela falta (ou excesso) de conhecimentos teológicos. Acho que me fiz entender, mesmo pq., se tem uma coisa que não sei fazer é escrever difícil.
Qto aos fundamentalismos, não acredito que Deus esteja de acordo com nenhum tipo, pois toda forma de fundamentalismo é desprezível, inclusive a original, dos E.U.A. no início do século XX, que reagia ao Liberalismo Teológico, dos alemães. Exclusivista, portanto, seria uma maneira adequada de caracterizá-la! Abraços, Jeff

JOSE J. AZEVEDO disse...

Prezado, tanto João Batista, como Jesus Cristo, ensinaram e pregaram o arrependimento para sermos alvo do perdão. Se acomodar a algo que fere a própria consciência é o que nos faz doentes espirituais. Deus nos atrai como estamos e, por nos amar tanto, opera as transformações que Ele considera importantes para nossa jornada. Todos somos pecadores, todos precisamos de cura - Paulo em Romanos afirma "que todos pecaram e carecem da glória de Deus". Por isso Lutero disse que cada cristão é um penitente e a Bíblia ensina que "sem arrependimento não há remissão de pecado". Todo aquele que ele atrai com seu amor incondicional também é sensivel a admoestação e mover do seu Espírito Santo. A Igreja é católica - isto é, universal, está em todos os séculos e avança para todos os confins da terra - nesse sentido sou tb universalista. Sou também bíblico por isso encontro em João Calvino um grande homem de Deus que amou as Escrituras e encontrou nela a sabedoria para escrever e viver a vida cristã.
UM ABRAÇO prezado irmão!

http://gospelnoticiaspontocom.blogspot.com/

Carlos Seino disse...

oooooo herege!!! rsrsrsrsrsrsr
Meu irmão e meu amigo Jefferson.
Graça e paz e parabéns por ter coragem de vir a público e assumir uma postura tão controvertida, que, foi assumida por Orígenes (apotastacasis pantou) e tem sido assumida por eminentes teólogos durante todos os séculos, como o próprio John Stott, salvo melhor juízo, bem como por eminentes padres da Ortodoxia Oriental. Parabéns pela coragem, não obstante, não ser o posicionamento que assumo no presente momento (ainda estou estudando esta possibilidade), mas sem dúvida, meu coração anseia que assim o seja também. Peço, por gentileza, que deixe de ser orgulhoso e poste este texto também no "Vida Cristã"!
Um grande abraço em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Carlos Seino disse...

Fazendo uma breve correção, é "apokatastasis", e não da forma que eu apressadamente havia escrito.

Grande abraço!

Gilvan Albuquerque disse...

Poxa que texto legal.
Será que ninguém consegue admitir um Deus que seja capaz de salvar a todos?
Afinal de contas, qual a habilidade ou conhecimento que nos torna aptos ao céu?
Talvez esta seja a forma mais lúcida de pensar em Deus. A salvação a todos sem importar credo, raça ou condição moral etc. Ainda (assim como o autor do comentário acima) estou analisando a possibilidade de me assumir um universalista convicto.
Abraço amigo Jeff.
Gil.

Andréa Silva disse...

No universalismo não existem privilegiados, nem os que conhecem mais e nem os desvalidos, que conhecem menos. Todos somos perfectíveis. O caso é que ninguém usa a ciência para encontrar as congruências religiosas mas somente as incongruências. Ninguém aqui entendeu nada do que é ser HUMANO?

Julio César disse...

Jefferson querido,

Se todos serão salvos como se deve entender qdo Jesus disse que aqueles que o confessar diante dos homens ele o confessará diante do Pai e aquele que o negar ele o negará. Como se deve entender qdo Jesus diz aos que estiverem a sua esquerda: Apartai-vos de mim malditos. E como se deve entender qdo ele diz Ele é o (não um) caminho, a verdade e a vida e que ninguém vem ao Pai se não por Ele?

Certamente há muitos fundamentalismo desprezíveis assim como há muitos liberalismos travestidos de humanismo e filosofias da libertação desprezíveis.

Amigo, cuidado para n tomar remédios que são piores que a doença. A gente não supera um trauma religioso com outras aventuras religiosas e viagens filosóficas

O liberalismo produziu tragédias e catástrofes assim como o fundamentalismo. Veja o nazismo e o castrismo. O pior que os liberais as fermentaram e a justificaram com bases humanistas sedimentadas por valores ditos altruístas.

A vida não é ideológica, ela é cheia de contradições e relatividades, ela não é como deveria ser, ela é como ela é. Só pela no paradoxo é que a gente vive.

Esteja em paz com Cristo!

Abraço,