terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Reflexão (51) - Saber impenetrável

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por Jefferson Ramalho

O saber de Deus é impenetrável, sua grandeza é singular e o seu ser é impossível de ser definido por qualquer mente humana, mesmo a mais brilhante e avançada. Essa declaração não é uma defesa à perspectiva sobre a morte da razão, mas apenas uma maneira simples e humilde de reconhecer suas limitações diante do Altíssimo.

Entender de teologia não significa teologizar Deus, avançar-se nos estudos sobre a fé não é o mesmo que entender as particularidades pessoais do Criador. Ele é absolutamente indisponível à reflexão humana. Ele é Deus, nós somos humanos.

Podemos entender sobre o que falam e falaram a seu respeito na História. Podemos e devemos conhecer e avaliar os infindos tratados sobre aquilo que a Bíblia diz a seu respeito. Mas temos que reconhecer que ao fazermos tal exercício não estamos pensando Deus, mas apenas pensando acerca do que já tentaram ou mesmo tentam pensar a seu respeito.

Essas observações me lembram da ingenuidade humana de alguns teólogos que ao escreverem teologias sistemáticas – especialmente as mais ortodoxas – acreditam fechar todo o conhecimento supostamente existente sobre Deus. Pior é a incapacidade de tais escritores que, ao se aventurarem por esse caminho, se esquecem que nem mesmo a Bíblia diz tudo a respeito do Altíssimo. Diz apenas o que os escritores bíblicos compuseram conforme a interpretação que fizeram da inspiração que receberam. O texto é e sempre será humano. Divina é apenas a mensagem que no texto se esconde e que nem sempre se revela.

Essa impenetrabilidade no ser divino é mais uma comprovação da condição precária em que os humanos se encontram. Mais do que isso, é escândalo, é pedra de tropeço, é absurdo, é a maravilhosa contradição da Graça. É amor de um Deus que não deve explicações ou satisfações a quem quer que seja a respeito de sua opção em ser Mistério.

Que mente humana pode compreendê-lo? Qual teologia sistemática consegue conceituá-lo? Qual sistema doutrinário tem o poder de resumi-lo? Qual templo pode lhe servir de morada? Qual cântico humano pode perfeitamente exaltá-lo? Qual oração pode comovê-lo? Quais palavras de elogio podem adorá-lo? Qual arrependimento pode convencê-lo?

Definitivamente, o melhor louvor, a melhor oração, a melhor exposição a seu respeito e a melhor expressão de arrependimento se dão quando o ser humano se silencia diante de Ti. E a melhor teologia, qual é? É aquela que se reconhece, que se percebe, que se enxerga e que se constrange diante da tua imperceptível existência.

Tu és, Senhor, o Totalmente Outro, o Deus escondido – ainda que revelado em Cristo, o Mistério absoluto, a Encarnação da Graça enigmática e o maior de todos os Absurdos. Por isso sei que preciso de ti numa intensidade que jamais poderei mensurar! E é por causa de sua condição absurda de Ser, que lhe entrego todo o meu impuro ser, em forma ingênua de adoração.

na Graça,
Jefferson

Um comentário:

Tércia Coelho disse...

Acredito q não há comentários nas suas postagens devido ao fato de nos deixar despidos da palavra, quer dizer, nos faltam questionamentos ao que escreve!!!
Deus continue te abençoando e traga sabedoria a sua mente para ensinar aqueles que querem conhecer um pouco mais sobre a história e vida de Cristo, bem como, demais temáticas vinculadas ao cristianismo.