sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Testemunhal - Jesus é Deus?

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Li todo o livro Jesus é Deus?. Achei muito interessante e de um conteúdo extraordinário! O autor conseguiu demonstrar a realidade da histórica do Cristianismo no período dos Pais da Igreja como poucos narradores conseguiriam.

O tempo todo se policiando para não ser persuasivo, embora em alguns momentos deixando escapar sua crença presbiteriana calvinista de raiz (depravação total, entre outros termos, por exemplo), porém, só um leitor mais atento percebe isso.

De modo geral, o autor apresentou os dois lados da questão para que o próprio leitor fosse capaz de se decidir. De forma clara e objetiva, conseguiu atráves de seus escritos levar o leitor a um entendimento racional sobre os credos definidos nos concílios e o porque da necessidade dos concílios.

Terminou o livro de uma forma brilhante, ou seja, convidando os cristãos a serem cristãos autênticos, chamado-os a viver uma verdadeira koinonia de maneira responsável com a sociedade.

Só poderia terminar dando os meus parabéns ao autor e dizer que ele está na direção correta. Já estou ansioso, aguardando os próximos livros da trilogia.

Hailton (IETEB - Osasco/SP)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Reflexão (51) - Saber impenetrável

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por Jefferson Ramalho

O saber de Deus é impenetrável, sua grandeza é singular e o seu ser é impossível de ser definido por qualquer mente humana, mesmo a mais brilhante e avançada. Essa declaração não é uma defesa à perspectiva sobre a morte da razão, mas apenas uma maneira simples e humilde de reconhecer suas limitações diante do Altíssimo.

Entender de teologia não significa teologizar Deus, avançar-se nos estudos sobre a fé não é o mesmo que entender as particularidades pessoais do Criador. Ele é absolutamente indisponível à reflexão humana. Ele é Deus, nós somos humanos.

Podemos entender sobre o que falam e falaram a seu respeito na História. Podemos e devemos conhecer e avaliar os infindos tratados sobre aquilo que a Bíblia diz a seu respeito. Mas temos que reconhecer que ao fazermos tal exercício não estamos pensando Deus, mas apenas pensando acerca do que já tentaram ou mesmo tentam pensar a seu respeito.

Essas observações me lembram da ingenuidade humana de alguns teólogos que ao escreverem teologias sistemáticas – especialmente as mais ortodoxas – acreditam fechar todo o conhecimento supostamente existente sobre Deus. Pior é a incapacidade de tais escritores que, ao se aventurarem por esse caminho, se esquecem que nem mesmo a Bíblia diz tudo a respeito do Altíssimo. Diz apenas o que os escritores bíblicos compuseram conforme a interpretação que fizeram da inspiração que receberam. O texto é e sempre será humano. Divina é apenas a mensagem que no texto se esconde e que nem sempre se revela.

Essa impenetrabilidade no ser divino é mais uma comprovação da condição precária em que os humanos se encontram. Mais do que isso, é escândalo, é pedra de tropeço, é absurdo, é a maravilhosa contradição da Graça. É amor de um Deus que não deve explicações ou satisfações a quem quer que seja a respeito de sua opção em ser Mistério.

Que mente humana pode compreendê-lo? Qual teologia sistemática consegue conceituá-lo? Qual sistema doutrinário tem o poder de resumi-lo? Qual templo pode lhe servir de morada? Qual cântico humano pode perfeitamente exaltá-lo? Qual oração pode comovê-lo? Quais palavras de elogio podem adorá-lo? Qual arrependimento pode convencê-lo?

Definitivamente, o melhor louvor, a melhor oração, a melhor exposição a seu respeito e a melhor expressão de arrependimento se dão quando o ser humano se silencia diante de Ti. E a melhor teologia, qual é? É aquela que se reconhece, que se percebe, que se enxerga e que se constrange diante da tua imperceptível existência.

Tu és, Senhor, o Totalmente Outro, o Deus escondido – ainda que revelado em Cristo, o Mistério absoluto, a Encarnação da Graça enigmática e o maior de todos os Absurdos. Por isso sei que preciso de ti numa intensidade que jamais poderei mensurar! E é por causa de sua condição absurda de Ser, que lhe entrego todo o meu impuro ser, em forma ingênua de adoração.

na Graça,
Jefferson

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Agenda

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11/1 - 19h
Primeira Igreja Batista de Itapevi
Rua Joaquim Nunes, 81 - Centro - Itapevi - SP

15/2 - 9h
Igreja Batista de Vila Alpina
Rua Iguará, 907 - Vila Alpina - São Paulo - SP (Próx. ao Crematório)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Entrevista com Caio Fábio

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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Reflexão (50) - Natal, singelos propósitos

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por Frei Betto

Neste Natal, guardarei em caixas bem fechadas o que me transmuta naquele que não sou: a inveja, o ciúme, a sede de vingança, e todos os ressentimentos que me corroem as vísceras. Lacradas as caixas, atirarei todas nas profundezas do mar do ouvido.

Neste Natal, esvaziarei o escaninho de minhas torpes intenções; as gavetas de tantas vãs ilusões; os armários de compulsivas ambições. De pés descalços, trilharei a senda saudável de uma existência modesta, por vezes solitária, sempre solidária.

Não darei ouvidos ao crocitar dos corvos em minhas janelas, nem ficarei indiferente às aquarelas pinceladas pela dor alheia, e manterei vedada a chaminé à entrada consumista de Papai Noel.

Tecerei, com as agulhas do acalanto e os fios invisíveis do mistério, o tapete promissor dos sonhos que me fomentam o entusiasmo. Recolherei as bandeiras da altivez militante e, numa caneca de barro, derramarei singelos propósitos: refrear a língua de maldizer outrem; reconhecer as próprias fraquezas; exercer a difícil arte de perdoar. Sorverei de um só gole até inebriar-me de compaixão.

Armarei, na varanda de casa, uma árvore de Natal cujo tronco será da mesma madeira que os princípios que me norteiam os passos; os galhos, as sedutoras vias às quais ousei dizer não; as flores, a paz colhida ao enclausurar-me no silêncio interior; os frutos, essa esperança-lagarta que insiste em metamorfosear-se em utopia sobrevoando o pessimismo que me assalta.

Aos pés de minha árvore deixarei vazios os sapatos de minhas erráticas peregrinações ao mundo inconsútil dos apegos que me sonegam o que a vida melhor oferece: a experiência amorosa de transcendê-la. Ao lado, minha lista de pedidos: a leveza imponderável da meditação; o dom de respeitar o limite das palavras; a felicidade de saciar-me na brevidade dos meus dias.

Neste Natal, montarei no canto da sala o presépio de minhas inquietudes. No lugar de franciscanos animais, a Declaração Universal dos Direitos Humanos; como são José, um árabe fiel ao Alcorão; Maria, uma jovem judia semelhante à de Nazaré; Jesus, a criança africana carcomida pela fome.

Tragam os reis magos três oferendas: o ramo de oliveira preso ao bico da pomba que anunciou a Noé o fim do dilúvio; a brisa suave que soprou sobre Elias; o pão repartido na estalagem de Emaús.

Não celebrarei liturgias solenes em dissonância com o glória cantado pelos anjos do presépio; não me fartarei em ceias pantagruélicas enquanto o Menino se abriga ao relento num cocho; nem darei presentes que me doem no bolso e no coração, embalados em falsos sentimentos.

Sim, me farei presente lá onde a família de sem-teto, escorraçada de Belém, ocupa um pedaço de terra nas cercanias da cidade para que do ventre de Maria brote a certeza de que a justiça haverá de brilhar como a estrela de Davi.

Neste Natal, serei todo orações, dançarei ao som das cítaras do reino de Salomão, sairei pelas ruas cantarolando salmos, despirei todos os adereços de neve e, neste país tropical, deixarei que o sol pouse em minha alma.

Colherei as lágrimas dos desesperados para regar meu jardim de girassóis, e arrancarei os impropérios da boca dos irados para revogar a lei do talião. Nos becos da cidade, celebrarei com os bêbados, os mendigos, as prostitutas, a quem tratarei por um único nome: Emanuel. E, num grande circo místico, buscarei com eles a resposta à pergunta que jamais se cala: “o que será que será que cantam os poetas mais delirantes e que não tem governo nem nunca terá?”

Neste Natal, rogo a Deus ressuscitar a criança escondida em algum recanto de minha memória, a que um dia fui, menino que sabia confiar e, desprovido do pudor do ócio, livre das agruras do tempo, era capaz de imprimir fantasias coloridas ao lado obscuro da vida.

Quero um Natal de brindes à alegria de viver, hinos à gratidão da fé, odes à inefável magia da amizade. Natal cujo presépio seja o meu próprio coração, no qual o Menino Jesus desfaça laços e faça desabrochar todo o amor que se oculta nos sombrios porões do meu ego.

Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros.